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19 setembro 2026

‘Bass Persuades’: a nova fase experimental de Miley Cyrus

Miley Cyrus devolve o inesperado com Bass Persuades, um álbum que mistura noise rock, electroclash e baladas intimistas.

‘Bass Persuades’: a nova fase experimental de Miley Cyrus

No último dia 18 de setembro de 2026 a cantora americana revelou Bass Persuades seu décimo álbum em uma trajetória marcada por dez discos e constantes reinvenções. O trabalho foi gravado em ritmo acelerado, surgindo menos de 18 meses após o LP Something Beautiful de 2025. Em entrevista, Miley explicou que buscou um processo criativo sem barreiras de gênero apoiada pelo produtor e namorado Maxx Morando baterista da Liily e ex-integrante dos The Regrettes. Morando produziu todas as nove faixas, deixando duas – que abordam diretamente o relacionamento do casal – sem sua assinatura de produção.

Colaborações que ampliam o espectro sonoro

Entre os convidados, destaca-se a banda Model/Actriz que oferece riffs afiados e batidas industriais, sobretudo na faixa titular Different Religion. O crítico Simon Vozick-Levinson elogiou a mistura de noise rock de Brooklyn com a vocalização pop de Miley, afirmando que a união gera “pura alegria”. Outra parceria marcante ocorre em Neon Signs onde o vocalista Andrew Wyatt do Miike Snow divide o microfone em um dueto que explora texturas de electro-acústico dos anos 70, lembrando o som ambiente de Brian Eno e os sintetizadores Depeche Mode. Essa combinação resulta em uma balada intimista, descrita como “creepy and sensual” por comentaristas que observaram o diálogo quase teatral entre os dois artistas.

Referências ao passado e a volta ao “Dead Petz”

Os ecos da fase Dead Petz de 2015 ressurgem em Orbit onde Miley incorpora sintetizadores ao estilo Pink Floyd enquanto mantém um timbre country nas linhas vocais. O crítico Rob Sheffield destacou que a canção flutua “sobre synths psicodélicos” e manifesta a mesma ousadia espacial que marcou o álbum colaborativo com a Flaming Lips. Essa fusão de estilos reforça a ideia de que Miley continua a explorar territórios progressivos, misturando nostalgia e inovação numa única experiência auditiva.

Primeiro single e a reação dos fãs

O título Bass Persuades foi lançado como primeiro single, gerando expectativas contraditórias. Segundo Larisha Paul a faixa funciona como “um verdadeiro fakeout”, pois apresenta a sensação de derrota ao afirmar que “as crianças não querem dançar”, o que contrasta com a energia carismática da artista. Embora alguns fãs tenham perdido parte da confiança no álbum após o single, Paul assegura que o restante das dez faixas revela uma musicalidade muito mais afiada que a primeira impressão.

Temas de religião e identidade

Em Different Religion Miley proclama um credo próprio, citando linhas como “eu tenho meu próprio deus! Ele dirige um carro veloz!”. A canção combina o peso do electroclash dos anos 2002 com vocais robóticos da Model/Actriz, criando um discurso que mistura humor e provocação. O crítico R.S. descreve o trecho final como “uma nova religião onde Deus é como estar dentro de tanques que te esmagam até virar pó”, ilustrando a abordagem irônica que permeia o álbum.

Aspectos visuais e perspectivas futuras

Ao abandonar o sobrenome e se apresentar apenas como “Miley”, a artista sinaliza uma nova identidade, mas mantém laços familiares nas letras. Na canção Innocent Ways ela dirige um aviso a uma irmã mais nova, possivelmente Noah Cyrus sobre os perigos da fama, reforçando a mensagem de que “a graça vem com a idade, mas não conte para ela”. Essa mistura de vulnerabilidade pessoal e experimentação sonora compõe o cerne de Bass Persuades que promete ainda mais surpresas nos próximos shows, especialmente quando a artista se juntar a Model/Actriz no Hollywood Bowl.

Rafael Oliveira