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23 setembro 2026

Coalizão liderada por Trump sanciona organizações de tráfico na América Latina

Quinze nações assinam, na sede da ONU, o primeiro plano conjunto de sanções contra redes de narcoterrorismo que abrangem toda a América Latina.

Coalizão liderada por Trump sanciona organizações de tráfico na América Latina

Na terça-feira, 22, dirigentes de quinze países se encontraram nas instalações da Organização das Nações Unidas em Nova York para oficializar a primeira ação conjunta do grupo Escudo das Américas. O encontro, que ocorreu à margem da Assembleia Geral, resultou na publicação de um comunicado que declara a intenção de aplicar sanções a 24 organizações rotuladas como narcoterroristas. Entre os alvos estão duas facções brasileiras de grande relevância: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A iniciativa foi impulsionada a pedido da administração de Donald Trump que, segundo representantes dos Estados Unidos, acusa o Brasil de falhar no combate aos grupos citados e de servir de «centro global da cocaína». A declaração oficial traz a frase de efeito: “Anunciamos hoje a primeira ação conjunta para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo“. O discurso foi complementado por Marco Rubio, secretário de Estado, que ressaltou a necessidade de uma resposta coordenada frente à ameaça transnacional.

Países signatários e alcance geográfico do acordo

O pacto conta com a adesão dos seguintes Estados: Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Chile, Peru e Colômbia integram a coalizão como novos membros, reforçando a presença de governos alinhados ao bloco republicano na região. Embora o Brasil não faça parte do Escudo das Américas ele está incluído na lista de organizações sancionáveis, o que evidencia a tensão diplomática entre Washington e Brasília.

Medidas previstas e o papel da OEA

O documento assinado pelos quinze países descreve um conjunto de instrumentos legais que deverão ser adotados conforme a legislação interna de cada nação. Entre as principais ações estão o congelamento de ativos financeiros a restrição de vistos e de entrada para membros, associados e apoiadores das organizações listadas, e a responsabilização criminal de quem fornecer apoio material ou logístico. Essas medidas visam cortar recursos e dificultar a mobilidade das facções criminosas.

Para viabilizar a cooperação, a coalizão pretende apresentar à Organização dos Estados Americanos (OEA) um pedido conjunto que solicite a convocação de uma reunião de consulta. O objetivo é criar, sob os auspícios do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca – também conhecido como Tratado do Rio – um “Órgão de Consulta” capaz de coordenar respostas regionais e facilitar a adoção de resoluções que apoiem as sanções propostas.

Repercussões políticas e críticas ao plano

O anúncio gerou reações contrastantes. Enquanto administradores dos países signatários ressaltam a necessidade de fortalecer a resiliência do Hemisfério Ocidental nos âmbitos da segurança, economia e coordenação multilateral, críticos apontam riscos de escalar a luta contra o crime organizado para um conflito militar. Especialistas citam que a classificação de grupos como terroristas pode legitimar intervenções mais agressivas e provocar violações de direitos humanos, como já ocorreu em episódios de ataques a embarcações no Caribe.

Além disso, alguns analistas enfatizam que a efetividade das sanções depende da capacidade de cada Estado em aplicar medidas como o bloqueio de contas e a vigilância de fronteiras. A experiência dos Estados Unidos, que já mantém décadas de listas negras e restrições econômicas, demonstra que o sucesso de tais políticas varia conforme a cooperação internacional e a execução doméstica. O Escudo das Américas representa, portanto, uma tentativa inédita de ampliar esse modelo a uma coalizão mais ampla da América Latina.

Com a assinatura do acordo, os quinze países dão um passo formal rumo a uma estratégia conjunta contra o narcoterrorismo. Resta observar como as medidas serão implementadas na prática e quais serão os desdobramentos diplomáticos, sobretudo em relação ao Brasil, que se mantém fora da aliança porém figura como alvo das sanções.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.