A corrida pelo Senado de santa catarina entrou na fase final nas vésperas do pleito de 4 de outubro. O estado, que entregou quase 70% dos votos válidos a Jair Bolsonaro em 2022, agora testa a capacidade de um dos filhos do ex-presidente de garantir uma das duas vagas em Brasília.
Quadro atual das pesquisas
O levantamento mais recente da Neokemp/OCP News, realizado em 30 de setembro com 1.008 eleitores de 168 municípios, aponta Carol De Toni (PL) à frente com 29% dos votos válidos, seguida por Carlos Bolsonaro (PL) com 21,9%, Esperidião Amin (PP) com 18,7% e Décio Lima (PT) com 12,4%. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais (95% de confiança). Quando os respondentes foram convidados a indicar primeira e segunda preferência, Carol liderou ambas as escolhas (30,7% e 27,2%), enquanto Amin subiu para 21,1% na segunda opção, quase igualando Carlos (20,2%).
Outra pesquisa, divulgada em 17 de setembro pelo Real Time Big Data, trazia Carol com 24% e colocava Carlos e Amin empatados em 20%, com Décio em 11%. A diferença de metodologia e período de campo evidencia que os números ainda podem oscilar, mas o consenso aponta para uma disputa muito equilibrada.
Perfis dos principais candidatos
Carol De Toni é deputada federal nascida em Chapecó e alinhada ao bolsonarismo. Seu nome tem aparecido consistentemente à frente nos levantamentos, e ela goza de apoio entre eleitores que valorizam a ligação familiar com Bolsonaro.
Esperidião Amin veterano da política catarinense – duas vezes governador, ex-prefeito de Florianópolis, senador em exercício – concorre pela coligação “Santa Catarina Acima de Tudo”, composta por MDB, PSD e Federação União Progressista (União Brasil + PP). Seu histórico local e a rede de alianças o tornam um concorrente sólido, especialmente entre eleitores que buscam continuidade.
Carlos Bolsonaro tem trajetória distinta: vereador no Rio de Janeiro desde 2001, mudou seu domicílio eleitoral para São José em dezembro de 2025, poucos meses antes de anunciar a candidatura ao Senado catarinense. A escolha foi feita por Jair Bolsonaro, que reservou uma das vagas para o filho em junho de 2025. Essa estratégia provocou resistência de setores empresariais e da sociedade civil, que acusaram o candidato de “paraquedismo” político.
O FIESC (Federação das Indústrias de Santa Catarina) chegou a publicar posicionamento contra a chapa de Carlos, afirmando que representantes do Estado deveriam ter “raízes no estado”. Pesquisas da AtlasIntel, realizadas em abril, mostraram que metade dos entrevistados via a candidatura como oportunismo, enquanto apenas 25,6% a considerava a melhor alternativa.
O debate da NSC TV e as ausências estratégicas
Na noite de 26 de setembro, a NSC TV reuniu cinco dos sete candidatos oficialmente habilitados – Afrânio Boppré (PSOL), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD) e Lunelli (MDB) – em três blocos de perguntas. Carol De Toni e Carlos Bolsonaro ambos do PL, justificaram ausência: De Toni alegou agenda fora da capital, e Bolsonaro nem respondeu ao convite.
Os temas abordados incluíram corrupção (Banco Master), segurança pública, emendas parlamentares, orçamento secreto, escala 6×1, maioridade penal e políticas para população em situação de rua. Em destaque, Amin e Boppré travaram discussão acalorada sobre um possível impeachment do ministro Alexandre de Moraes, enquanto Rocha e Lunelli debateram a necessidade de transformar facções criminosas em organizações terroristas.
Durante o bloco de perguntas livres, Boppré acusou Amin de “passar pano” ao caso Ciro Nogueira, presidente do PP, ligado ao escândalo do Banco Master, e Amin rebateu classificando a crítica como leviana. O debate mostrou, sobretudo, a dificuldade de quem está ausente de se apresentar ao eleitorado, reforçando a narrativa de “paraquedismo” que acompanha a campanha de Carlos.
Influência do governador Jorginho Mello e o papel de Décio Lima
O cenário para Carlos também conta com a popularidade do atual governador, Jorginho Mello. Pesquisas Inteligov/EXAME (26/09) e Paraná Pesquisas (23/09) apontavam o governador com 51,19% e 58,8% das intenções de voto, respectivamente, sugerindo que seu apoio pode ser decisivo para a lista do PL.
Por outro lado, Décio Lima (PT) mantém uma base expressiva, ainda que menor que a dos principais concorrentes. Em 2022, ele chegou ao segundo turno para a prefeitura de SC, obtendo 29,31% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 30,73% no mesmo estado. Esse histórico indica que uma parcela considerável de eleitores pode se afastar da maioria conservadora e ainda assim influenciar o resultado final.
Conclusão: um cenário ainda indefinido
Com dois cargos em disputa, a estratégia de conquistar tanto o voto de primeira escolha quanto o de segunda preferência será decisiva. Enquanto Carol De Toni parece liderar nos últimos números, Carlos Bolsonaro ainda conta com o apoio do governador e com a força do nome da família. Amin aposta na sua trajetória local, e Décio Lima oferece a alternativa da oposição. O dia 4 de outubro ainda reserva surpresas, e como dizem em Florianópolis, “não acredito em bruxas, mas que as há, as há”.



