A NBA Academy Africa anunciou, em 1º de outubro de 2026, o encerramento de suas atividades em Saly, Senegal. Inaugurada em 2018, a academia foi a primeira instalação de elite da liga no continente e, ao longo de oito anos, formou cerca de 110 jovens talentos. Entre os egressos, destacam-se Ulrich Kamka Chomche, camaronês que foi selecionado no Draft de 2024 e jogou pelo Toronto Raptors, e Khaman Maluach, sul-sudanês que atualmente defende o Phoenix Suns.
Encerramento da academia e razões anunciadas
Segundo declarações internas, a decisão faz parte de uma reorientação estratégica da liga, que já havia fechado unidades semelhantes no México e na Austrália. A NBA planeja concentrar todo o programa de desenvolvimento em uma nova academia global a ser inaugurada em Abu Dhabi Emirados Árabes Unidos. A organização reforça que o movimento não representa diminuição de apoio ao continente, citando a continuidade de projetos como a Basketball Africa League e o programa Basketball Without Borders que promovem campos de treinamento de alto nível em diferentes países africanos.
Reações de ex-funcionários e impactos percebidos
Michel Chikwanine, que atuava como consultor de desempenho e estilo de vida, afirmou que a notícia “deu um baque” na confiança dos jogadores: “From the moment we told them, their confidence waned, their confidence dropped.” Michael Abbott, então chefe de planejamento acadêmico, criticou a prioridade dada ao modelo de negócios: “They weren’t invested in them as kids as much as they were invested in the business model.” Ambos alertam que o fechamento limitará oportunidades para jovens que dependem de apoio estruturado, especialmente aqueles provenientes de contextos socioeconômicos difíceis.
Nova estratégia global e perspectivas futuras
Para a NBA, a centralização em Abu Dhabi visa oferecer aos atletas de todo o mundo maior visibilidade diante de treinadores e olheiros internacionais. Troy Justice, vice-presidente sênior da liga, declarou que a mudança “nos orgulha o impacto da NBA Academy Africa” e que a organização permanece “committed to developing the next generation of African players“. A liga também destaca que continuará a investir em iniciativas locais, mantendo programas de base e colaborando com federações africanas.
Desafios para os prospectos africanos
Com a migração do centro de treinamento, os jovens talentos terão que competir globalmente por vagas na academia de Abu Dhabi, o que, segundo Chikwanine, reforça a percepção de que grandes corporações chegam ao continente com uma “mentalidade de extração”. Ele acrescenta que essa postura tem gerado “uma enorme desconfiança” entre atletas e comunidades. Ainda assim, a NBA argumenta que concentrar os recursos em um único polo permitirá um ambiente de alto desempenho facilitando a transição de jogadores africanos para ligas profissionais ao redor do mundo.



