Nívea Campos tornou-se referência ao conseguir conciliar a advocacia com o fisiculturismo profissional. Enquanto sócia de um escritório próprio e vice-presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB de Pernambuco, ela também disputa a categoria Bikini no maior palco do esporte: o Mr. Olympia 2026.
Da faculdade ao cenário mundial
O primeiro contato de Nívea com as competições ocorreu em 2017, ainda estudante de Direito. Ela interrompeu a prática ao se dedicar ao exame da OAB, mas retomou logo após a aprovação, transformando-se em fisiculturista profissional. Em 2025 fez sua estreia no Mr. Olympia embora não tenha conseguido entrar nas 15 primeiras colocações. Desde então, participou de dez torneios, quatro deles durante um circuito de cerca de 40 dias pelos Estados Unidos, onde alcançou duas posições entre os top 3 da sua divisão.
Desconstruindo preconceitos dentro e fora do tribunal
Nos primeiros anos, Nívea ouviu comentários que misturavam admiração e descrédito. “Nossa, você é fisiculturista?”, perguntavam, confundindo o esporte com halterofilismo e, ao mesmo tempo, questionando se uma mulher advogada poderia expor o corpo em público. Preconceito velado também surgiu dentro de escritórios, onde colegas duvidavam da seriedade de sua atuação profissional. A advogada relata que, ao assumir seu papel de sócia e de liderar a comissão esportiva da OAB, conseguiu mudar a percepção, mostrando que disciplina e ética são transferíveis entre as duas áreas.
Rotina de treinos e metas para o Mr. Olympia 2026
Para melhorar a classificação, Nívea tem um plano rigoroso: treinos de musculação seis vezes por semana aliados a uma sessão diária de cardio. Ela mira entrar entre as 15 melhores no Mr. Olympia 2026, realizado de 24 a 27 de setembro em Las Vegas, nos Estados Unidos, evento que será transmitido gratuitamente online. A brasileira fará parte de um grupo de três representantes nacionais na categoria Bikini ao lado de Elisa Pecini e Bruna Toigo. A divisão tem forte predomínio norte-americano, mas já rendeu ao Brasil três campeãs: Nathalia Melo (2012), Angelica Teixeira (2017 e 2018) e Elisa Pecini (2019).
O Brasil no Mr. Olympia: histórico recente
Além das três atletas da categoria Bikini, o Brasil envia participantes em várias divisões. Em 2025, o país conquistou três títulos: Ramon Dino venceu a Classic Physique, Eduarda Bezerra triunfou na Wellness e Natalia Coelho ficou campeã na Women’s Physique. Essa performance reforça a presença brasileira em competições globais e abre caminho para que atletas como Nívea representem a nação na elite mundial.
Visão de futuro e mensagem para outras mulheres
Nívea defende que não há necessidade de escolher entre duas paixões. “Se eu fosse forçada a escolher, ainda não saberia qual carreira privilegiar”, afirma. Ela enfatiza a importância de persistir e entregar-se integralmente a cada atividade para alcançar resultados positivos. Seu objetivo é inspirar mulheres a ocupar múltiplos espaços profissionais, sem se limitar a uma única caixa. Ao equilibrar a prática jurídica com a alta performance atlética, a advogada demonstra que o sucesso pode ser compartilhado entre campos considerados distintos.



