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26 setembro 2026

O segredo do refrão final de Miley Cyrus contado por Max Martin

Miley Cyrus explica o truque do acorde final que garante repetição, revela o sentido de suas apresentações no Hollywood Bowl e lembra o conselho de Dolly Parton.

O segredo do refrão final de Miley Cyrus contado por Max Martin

Em uma conversa descontraída com Zane Lowe da Apple Music a cantora americana Miley Cyrus abordou o lançamento de seu décimo álbum, Bass Persuades. O bate-papo, gravado em 26 de setembro de 2026, trouxe à tona detalhes raramente divulgados sobre a composição das faixas, a estratégia de shows no Hollywood Bowl e a influência de figuras como Max Martin e Dolly Parton. O que se revelou foi um conjunto de decisões criativas que vão além da estética sonora, atingindo diretamente o fator de repetição que mantém o público conectado a uma música.

A técnica do acorde inesperado no refrão final

Segundo a própria artista, aprendida diretamente com o sueco Max Martin a fórmula para que uma canção seja repetida inúmeras vezes pelos ouvintes está em um detalhe quase imperceptível: inserir um acorde no último refrão que não aparece no primeiro. “Você sempre tem que colocar um acorde no refrão final que não está no primeiro, porque esse é o fator de repetição”, disse Cyrus, citada por Music Radar. Ela exemplifica a sensação ao ouvir a própria mudança: “Caramba, eu realmente gosto de ouvir essa música de novo, de novo e de novo”. Essa prática, ainda que simples, funciona como um gancho melódico que quebra a previsibilidade e cria um ponto de curiosidade para o ouvinte.

Motivações pessoais e a escolha pelo Hollywood Bowl

Além da questão técnica, a cantora compartilhou reflexões sobre sua rotina em turnê. Ela revelou que a vida na estrada ameaça sua sobriedade porque depende de rotinas estáveis e de um ambiente familiar. Por isso, optou por dois shows concentrados no Hollywood Bowl local que descreve como “uma cama de marshmallow” onde pode descansar entre apresentações. A ideia é inverter a lógica tradicional: em vez de viajar incessantemente, Cyrus convida o público a chegar até ela. A estratégia visa criar um ponto de encontro seguro, onde a energia dos fãs se mistura ao seu próprio desejo de estabilidade.

Dolly Parton e o conselho sobre a persona artística

Em outro momento da entrevista, a artista relembrou o conselho deixado por sua madrinha espiritual, a icônica Dolly Parton antes da morte da cantora em 25 de agosto. Parton ensinou que, embora o espetáculo inclua “cabelo, maquiagem e performance”, a autenticidade pessoal é o que realmente atrai o público. “Você pode ter uma persona e ainda ser quem você é”, afirmou Cyrus, reconhecendo que esse ensinamento a ajudou a reconciliar sua imagem pública com a pessoa que vive fora dos palcos. A comparação feita por Cyrus entre sua persona e a arte do drag reforça a ideia de que o palco pode ser um espaço de transformação, mas que a essência deve permanecer intacta.

Recepção crítica de Bass Persuades

A crítica especializada tem analisado o álbum sob diferentes prismas. A revisão de Larisha Paul, publicada em 22 de setembro de 2026, nota que Bass Persuades se distancia das danças explosivas de trabalhos anteriores e foca em devoção e intimidade. Canções como “Orbit” e “Aftermath” mostram uma vulnerabilidade que contrasta com o brilho dos hits como “See You Again”. No entanto, a presença de remixes industriais, como o trabalho da banda Model/Actriz Mesmo assim, a crítica destaca que a adesão ao novo acorde inesperado tem potencial para tornar o álbum memorável nas playlists de repetição.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.