O Brasil apresentou avanços notáveis no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2026, conforme dados divulgados em 5 de agosto de 2026 pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Apesar dos progressos, os resultados revelam que ainda há muito a ser feito, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Os dados mostram que o país está se recuperando mais rapidamente do que o esperado após a pandemia de covid-19, com melhorias significativas em proficiência e fluxo escolar. No entanto, a recuperação completa ainda não foi alcançada em todas as áreas.
Resultados por etapa educacional
Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) o Ideb subiu de 6,0 para 6,3 pontos, superando a meta nacional de 6,0. Essa etapa foi a que apresentou os melhores resultados, com avanços em língua portuguesa e matemática. As notas médias em língua portuguesa passaram de 216,8 para 220,7, enquanto em matemática, subiram de 225,9 para 230,3.
Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) o Ideb avançou de 5,0 para 5,3 pontos, mas ainda ficou abaixo da meta de 5,5. Em matemática, os estudantes registraram 270,0 pontos, ante 265,5 em 2026, e em língua portuguesa, 261,3 pontos, ante 258,0 no ano anterior.
No ensino médio o Ideb passou de 4,3 para 4,5 pontos, também abaixo da meta de 5,2. As médias em língua portuguesa avançaram de 267,9 para 270,9, e em matemática, de 271,6 para 274,4. Apesar dos avanços, os resultados em matemática ainda estão abaixo dos níveis pré-pandemia.
Recuperação pós-pandemia
O ministro da Educação, Leonardo Barchini destacou que os resultados indicam uma recuperação mais rápida do que a prevista por organismos internacionais. Segundo ele, o Brasil conseguiu, em apenas dois ciclos, ou seja, em quatro anos, voltar aos níveis pré-pandemia em proficiência e fluxo escolar.
“Os relatórios internacionais apontavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para voltar aos níveis pré-pandemia. E o que os resultados do Ideb mostram é que, tanto na proficiência quanto no fluxo, a gente conseguiu, em apenas 2 ciclos, ou seja, em 4 anos, voltar àquela situação pré-pandemia”, afirmou Barchini.
O ministro também anunciou que o governo pretende revisar as metas do Ideb para o próximo ciclo de avaliação, dando maior peso aos resultados de aprendizagem e à equidade entre os estudantes.
Desempenho por unidade federativa
No que diz respeito aos anos iniciais do ensino fundamental 18 unidades da Federação atingiram a meta nacional do Ideb. O Paraná liderou o ranking, com nota 7,0, seguido pelo Ceará (6,8) e Santa Catarina (6,7). Alagoas e Ceará registraram os maiores avanços desde 2005, com ganhos de 3,9 e 3,6 pontos, respectivamente.
Nos anos finais do ensino fundamental apenas ParanáCearáGoiásMinas Gerais e São Paulo alcançaram a meta de 5,5. Alagoas e Ceará também se destacaram como os Estados que mais evoluíram desde 2005, com aumentos de 2,9 e 2,6 pontos.
No ensino médio nenhuma unidade da Federação atingiu a meta nacional de 5,2. O Paraná obteve a maior nota do país, com 5,1, seguido por Piauí (5,0) e Espírito Santo e Rio Grande do Sul (4,9). PiauíPará e Pernambuco foram os Estados que mais avançaram desde 2005, com ganhos de 2,1, 1,8 e 1,7 ponto, respectivamente.
O Ideb é o principal indicador de qualidade da educação básica no Brasil. O índice é calculado a cada dois anos e reúne dois componentes: o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) que mede a aprendizagem em língua portuguesa e matemática, e o fluxo escolar, baseado nas taxas de aprovação dos alunos.
O indicador é divulgado para os anos iniciais e finais do ensino fundamental e para o ensino médio, além de apresentar resultados por escolas, redes de ensino, municípios, Estados e para o país. É medido por dois dados: desempenho dos estudantes no Saeb e aprovação dos estudantes ou fluxo escolar. Varia de 0 a 10. Quanto melhor o desempenho dos alunos e mais alto o número de aprovados, maior é o Ideb.



