Na manhã do dia 20 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou rumo a Nova York Estados Unidos, para representar o Brasil na 81ª Assembleia Geral da ONU. A tradição diplomática concede ao Brasil a primeira palavra no plenário, e Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar antes do presidente americano, programado para o dia 22 de setembro. A delegação oficial inclui a ministra da Igualdade Racial Rachel Barros a secretária de Gestão e Inovação Esther Dweck e a secretária de Povos Indígenas Luiz Eloy Terena demonstrando a amplitude dos temas que o governo pretende levar ao debate internacional.
Agenda de Lula em Nova York
Além da abertura oficial, o presidente tem compromissos de alto nível. Entre eles, uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani que assumiu a capital americana aos 34 anos e se descreve como socialista. O encontro está marcado para a residência do embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese e deverá tratar de parcerias urbanas e de apoio ao desenvolvimento sustentável. Lula também concederá uma entrevista exclusiva à jornalista Christiane Amanpour da CNN Brasil, reforçando a estratégia de comunicação direta com a audiência global.
Embora não haja um encontro bilateral oficial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump a proximidade das falas – Lula na abertura e Trump logo em seguida – abre margem para um contato espontâneo nos bastidores. A última vez que os dois conversaram informalmente foi em 2025, quando Trump descreveu a química como “excelente”; desde então, o diálogo tem sido pontuado por críticas mútuas, especialmente sobre a suposta interferência americana nas eleições brasileiras.
Temas centrais do discurso de abertura
O texto que será proferido na terça-feira, 22 de setembro, deve enfatizar a defesa da soberania nacional e o princípio da não-interferência nos assuntos internos de qualquer país. Lula pretende solicitar que os Estados Unidos respeitem o processo eleitoral brasileiro, sem mencionar diretamente o nome do presidente norte-americano. O discurso também deve abordar a escalada dos conflitos globais, a necessidade de negociações de paz e o impacto das guerras na segurança alimentar especialmente no preço dos alimentos.
Outro ponto de destaque será a cooperação internacional contra o crime organizado. O governo brasileiro pretende citar acordos bilaterais firmados com países vizinhos e com os EUA, bem como apresentar um protocolo preliminar para combater crimes ambientais. Em resposta às acusações de Trump de que o Brasil não teria enfrentado adequadamente o PCC e o CV, a equipe do Itamaraty classificou tais críticas como uma “fórmula” com interesses ocultos, reforçando o compromisso do Brasil com a segurança transnacional.
Questões ambientais e digitais
No âmbito ambiental, Lula deve lembrar a COP30 e posicionar o Brasil como defensor de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico e preservação dos ecossistemas. O discurso deve ainda tocar na corrida armamentista e na disputa pelos recursos naturais estratégicos, temas recorrentes nas discussões da ONU. A regulação das plataformas digitais aparecerá como outro pilar, com referência ao ECA Digital proteção de crianças e mulheres, e aos desafios trazidos pela Inteligência Artificial.
Ao encerrar sua fala, Lula deverá sublinhar a importância do multilateralismo como ferramenta para enfrentar desafios globais, como pandemias, fome e mudança climática. A expectativa é que o discurso dure cerca de 20 minutos, permitindo ajustes de última hora até a véspera (21 de setembro). A combinação de temas – soberania, segurança, meio ambiente e regulação digital – demonstra a estratégia do presidente de projetar o Brasil como um ator central e responsável no cenário internacional.



