Na madrugada de 19 de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump utilizou sua rede social oficial, a Truth Social para lançar uma iniciativa inusitada: questionar a própria nomenclatura da inteligência artificial e solicitar que seus seguidores escolham um novo vocábulo. A mensagem trazia a afirmação de que muitas pessoas consideram o termo atual “pouco eloquente” e até impreciso justificando a necessidade de uma designação mais sofisticada para a tecnologia que, segundo ele, já conta com mais de 80 anos de história.
Enquete para definir um novo nome
Trump ofereceu três alternativas – Inteligência Superior (IS)Inteligência Extrema (IE) e Inteligência Suprema (IS) – e convidou os usuários a votarem, ressaltando que “essa é uma enquete, e eu gostaria que todos participassem votando! Qual é o melhor nome para essa ‘Revolução’ em constante crescimento?”. Em apenas noventa minutos, a pesquisa já registrava quase 30 mil votos demonstrando o alto engajamento da base de apoiadores. O presidente não explicou como a mudança de terminologia seria implementada nem buscou a concordância de especialistas do setor, limitando a ação a um gesto simbólico de mobilização nas redes.
Acusações de conspiração e defesa de liderança forte
No dia 14 de agosto, Trump também denunciou uma suposta “conspiração doentia” contra a IA e os centros de dados, alegando que o único beneficiado seria a China. Em postagem separada, ele acusou o CEO da Anthropic, Dario Amodei de fingir ser um “anjinho perfeito” depois de defender publicamente a necessidade de uma desaceleração coordenada no desenvolvimento da tecnologia. Segundo o presidente, “o governo Trump impediu que ‘pessoas’ da IA fizessem coisas ruins, ou potencialmente ruins”. A retórica culminou no discurso de que “o único freio ou barreira que a IA precisa é de um PRESIDENTE FORTE e INTELIGENTE”, reforçando a ideia de que a segurança da nação depende de sua liderança.
Reações do setor e contexto histórico
Enquanto Trump critica quem alerta para os riscos da inteligência artificial figuras de destaque no mercado tecnológico – Sam Altman CEO da OpenAI, Elon Musk dono do X e da empresa de IA xAI, Demis Hassabis presidente do Google DeepMind, e Satya Nadella CEO da Microsoft – manifestaram apoio à proposta de pausa ou desaceleração para melhor compreender os perigos associados ao avanço rápido da tecnologia. A divergência evidencia um debate em que o presidente norte-americano associa alarmistas de IA a antigos defensores de teorias climáticas extremas, afirmando que “essa farsa nunca funcionou para eles, e agora estão passando para a próxima”. Essa comparação ressalta a intensidade da disputa política em torno da regulação e do futuro da IA nos EUA.
Mesmo que a enquete tenha mobilizado milhares de participantes, a falta de um plano concreto e a ausência de consenso entre os principais atores do setor deixam em aberto se a mudança de nome – ou a suposta ameaça conspiratória – terá qualquer repercussão prática nas políticas públicas ou nas estratégias empresariais relacionadas à IA.



