Na noite de 1º de outubro, o Ringo Starr subiu ao palco do Forest Hills Stadium em Nova Iorque, marcando a primeira visita ao local desde a febre da Beatlemania em 1964. O baterista, hoje com quase noventa anos, iniciou o espetáculo com o clássico de Carl Perkins, “Matchbox”, e logo soltou a frase que ecoou entre os fãs: “É ótimo estar de volta”. O público, que incluía pessoas que o viram nos dias de glória dos Beatles, respondeu com gritos e aplausos, provando que a magia ainda está viva.
O concerto de 1964 que ficou na história
Em 29 de agosto de 1964, os Beatles apresentaram o segundo de dois shows consecutivos no Forest Hills Tennis Stadium completando uma série de apresentações memoráveis no Queens que também recebeu nomes como Barbra Streisand e Harry Belafonte. O programa de abertura contou com The Bill Black Combo, The Exciters, The Righteous Brothers e Jackie DeShannon, mas foram os quatro jovens de Liverpool a dominar as manchetes. O crítico Robert Shelton, do New York Times descreveu o público como “mais de 15 mil pessoas, majoritariamente adolescentes, que gritaram em aprovação a ponto de ser doloroso ouvir a música”. O frenesi das meninas, que praticamente abafava as vozes do quarteto, foi comparado a “uma multidão de rádios transistor em uma arena de tourada”.
O retorno de Ringo em 2026
Quatro décadas e meia depois, o mesmo estádio recebeu Ringo acompanhado da All Starr Band. Após abrir com “Matchbox”, ele lembrou o público da visita de 1964: “Nós tocamos aqui em 1964”, disse, “Que show incrível foi aquele”. Em seguida, o baterista citou a faixa “Boys”, da Shirelles de 1960, que faz parte de seu repertório desde os primeiros dias de sua carreira pré-Beatles com a banda Rory and the Hurricanes. A escolha da música reforçou a sensação de déjà-vu, conectando as duas gerações de fãs.
Repertório dos Beatles e a tradição da All Starr Band
Como em todas as turnês da All Starr Band desde 1989, o setlist de músicas dos Beatles foi restrito a faixas cantadas originalmente por Ringo: “Octopus’s Garden”, “Yellow Submarine”, “I Wanna Be Your Man” e “With a Little Help From My Friends”. A tão esperada estreia ao vivo de “Good Night” ainda não aconteceu, mantendo o mistério sobre esse clássico. Entre os números, Ringo ainda fez um breve exercício de polichinelos ao final de “With a Little Help From My Friends” antes de correr de volta ao palco para encerrar com um trecho de “Give Peace a Chance”, de John Lennon.
Uma banda quase permanente ao lado de Ringo
Ao longo dos anos, a formação da All Starr Band mudou constantemente, mas desde 2012 a energia tem sido mantida por Steve Lukather guitarrista do Toto; Colin Hay vocalista do Men at Work, presente desde 2018; e Hamish Stuart do Average White Band, integrante desde 2019. Essa combinação cria um setlist surreal onde “Rosanna”, “Pick Up the Pieces” e “Down Under” são executados em sequência, com Ringo guiando a batida nas baterias. A química entre os músicos é evidente quando Hay apoia Lukather nas notas altas de “Africa” e Stuart canta alegremente “Who Can It Be Now?”.
Com apenas quatro anos para completar noventa, Ringo Starr demonstra uma resistência física incrível, tocando bateria em quase todas as canções que não são cantadas por ele e ainda conservando o humor que o caracteriza. Depois de Nova Iorque, a turnê segue para Portland, no Maine, provando que o ritmo do ex-Beatle não conhece limites de idade. Enquanto o público continua a aplaudir cada batida, fica claro que a influência dos Beatles, iniciada em 1964, permanece tão poderosa quanto naquela noite histórica.



