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17 setembro 2026

81 anos após o bombardeio atômico, Nagasaki alerta sobre os riscos nucleares

Em uma cerimônia solene, Nagasaki reafirma seu compromisso com a paz e alerta para os crescentes riscos de conflitos nucleares.

81 anos após o bombardeio atômico, Nagasaki alerta sobre os riscos nucleares

Em 9 de agosto de 2026, Nagasaki relembrou o bombardeio atômico que devastou a cidade há 81 anos. A cerimônia anual no Parque da Paz reuniu sobreviventes, líderes políticos e representantes de 98 países e regiões, incluindo a União Europeia.

A data marca um momento de reflexão sobre os horrores da guerra e um apelo urgente por um mundo livre de armas nucleares. O prefeito Shiro Suzuki destacou a importância de manter Nagasaki como o último lugar do mundo a sofrer um ataque nuclear.

Um apelo por paz e desarmamento

Durante a cerimônia, Suzuki leu a Declaração de Paz enfatizando que as armas nucleares não são um mal necessário mas um mal absoluto. Ele criticou a dissuasão nuclear descrevendo-a como extremamente perigosa e frágil.

Suzuki também expressou preocupação com a modernização dos arsenais nucleares e o aumento das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio e na Ucrânia. Ele destacou que ainda existem mais de 12 mil ogivas nucleares no mundo, um número alarmante que exige ação imediata.

Líderes mundiais e a política nuclear

A primeira-ministra Sanae Takaichi reafirmou o compromisso do Japão com os três princípios não nucleares não produzir, não possuir e não permitir a introdução de armas nucleares no país. No entanto, a ausência de uma menção explícita ao Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares gerou críticas.

O secretário-geral da ONUAntónio Guterres também alertou para o aumento dos riscos de erros de cálculoescalada e conflito. Ele classificou a situação atual como inaceitável e destacou a necessidade de esforços globais para reduzir os arsenais nucleares.

Memórias e a importância da transmissão histórica

Entre os presentes estava Toyomi Okada uma sobrevivente de 87 anos que vivenciou o bombardeio a cerca de 4,2 quilômetros de sua casa. Okada compartilhou suas memórias, destacando a devastação causada pela explosão e a importância de preservar essas histórias.

Com a idade média dos sobreviventes oficialmente reconhecidos ultrapassando 86 anos há uma urgência em transmitir essas experiências às gerações futuras. Suzuki enfatizou que estamos em um momento crítico em que ainda podemos ouvir diretamente as vozes dos hibakusha.

A cerimônia incluiu um minuto de silêncio às 11h02, horário em que a bomba de plutônio Fat Man explodiu sobre Nagasaki. A cidade continua sendo um símbolo da destruição causada pelas armas nucleares e um lembrete constante da necessidade de paz e desarmamento.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.