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17 setembro 2026

Conversas de WhatsApp revelam relação de sociedade entre Lulinha e lobista

Roberta Luchsinger descreveu o filho de Lula como seu sócio em conversas de WhatsApp, fato que alimenta três investigações no STF.

Conversas de WhatsApp revelam relação de sociedade entre Lulinha e lobista

Em meio a suspeitas de tráfico de influência a lobista Roberta Luchsinger chegou a se referir ao primogênito do presidente, Fábio Luís Lula da Silva – popularmente conhecido como Lulinha – como seu “sócio” em diversas trocas de mensagens de WhatsApp. Os diálogos, obtidos pela imprensa, abrangem o período de janeiro a junho de 2024 e revelam uma linguagem cotidiana que sugere parceria em negócios e viagens.

Mensagens que revelam a suposta parceria

O primeiro contato relevante data de 10 de janeiro de 2024, quando Luchsinger enviou um áudio a “Rose Amorim” dizendo: “Lembra do Fernando, meu sócio na empresa que eu tenho com ele, com o Fábio, filho do presidente?” Já em 28 de janeiro, a lobista escreveu a uma amiga: “Estou indo dia 5 de fevereiro para Genebra com as filhas. Conosco irão Fábio (meu sócio) filho do presidente Lula com a esposa e filhos”. Nos meses seguintes, o padrão se repete: em 22 de fevereiro, num áudio para “Ana Carolina Melchert”, ela relata que “Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona”. Em 3 de março, encaminhou a “Ana Carolina Alencar” uma mensagem de Lulinha pedindo que um terceiro “Mostre a mensagem do meu sócio, Fábio”. Em 13 de maio, afirma a “Alexandre Rodrigues” que esteve em Brasília “com o meu sócio que é filho do presidente”. Por fim, em 25 de junho, menciona a gerente do hotel Le Bristol, em Paris, dizendo: “Que pena! Estava com meu sócio e a família. Filho do presidente Lula. Fizemos muita compra e adoraria ter lhe encontrado”.

Investigações em curso no Supremo Tribunal Federal

Os trechos de mensagem chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF) dentro de três inquéritos que investigam possíveis práticas de tráfico de influência. O mais avançado apura a suposta colaboração entre Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes conhecido como “Careca do INSS”, para favorecer a comercialização de medicamentos à base de cannabis, como o CBD, no Ministério da Saúde. Uma segunda apuração examina pagamentos feitos por Luchsinger a figuras próximas ao presidente, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro e o empresário Marcola. O terceiro caso examina indícios de influência na Dataprev empresa pública de processamento de dados.

Posicionamento de Lula e repercussão política

Em entrevista ao Jornal Nacional, transmitida em 27 de agosto deste ano, o presidente Lula negou conhecer Roberta Luchsinger, afirmando: “Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”. O mandatário ainda a classificou como “pilantra” e questionou: “O que uma pilantra pode fazer num telefone?” O discurso reforçou a narrativa de que ninguém, inclusive parentes, está acima da lei. Em campanha em Curitiba, Lula reiterou que seu filho não terá proteção especial: “Ele nasceu para fazer as coisas certas e, se cometer erro, terá que pagar por ele”. Essa postura ecoa declarações anteriores, onde Lula ressaltou que investigações devem prosseguir livremente, lembrando até de seu próprio julgamento em.

As mensagens divulgadas mostram, portanto, uma rede de contatos que inclui viagens a Barcelona, Genebra e Paris, além de interações comerciais envolvendo o hotel Le Bristol. A combinação de provas de comunicação direta e as três ações judiciais no STF cria um cenário de intensa atenção pública e política, que deve continuar a evoluir nos próximos meses.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.