A terceira temporada de A Casa do Dragão encerrou-se com um episódio repleto de mudanças significativas para o futuro da guerra civil dos Targaryen. Entre as transformações mais marcantes está a morte de Helaena Targaryen (Phia Saban) e a evolução da personagem de Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy), que agora parece ter abraçado definitivamente um caminho mais radical, alinhado com as ideias de Daemon Targaryen (Matt Smith).
Em uma recente coletiva de imprensa, Emma D’Arcy compartilhou suas reflexões sobre a importância da morte de Helaena para a trajetória de Rhaenyra. “Helaena é como o coração moral da série. Ela é a única personagem que tem proximidade com o poder, mas permanece intocada. Acho que a morte dela condena Rhaenyra ao caminho que escolheu. Não há volta depois disso”, afirmou a atriz. D’Arcy também destacou que a morte de Helaena pode significar que Rhaenyra ficará sozinha em sua busca pelo poder, especialmente em seu relacionamento com Alicent Hightower.
O ponto de virada na Fortaleza Vermelha
No episódio final da 3ª temporada, Helaena tira a própria vida ao se jogar de uma janela da Fortaleza Vermelha. Antes desse trágico evento, a personagem passa por uma série de acontecimentos que a colocam diretamente no caminho de Rhaenyra. A morte de Helaena ocorre justamente enquanto Rhaenyra começa a rejeitar instituições que tradicionalmente legitimavam o poder em Westeros. A rainha, que durante boa parte da série buscou provar que tinha direito ao Trono de Ferro passa a adotar medidas cada vez mais radicais para manter seu domínio.
Emma D’Arcy explicou que a rejeição de Rhaenyra aos Sete e o assassinato do Alto Septão são exemplos dessa transformação. “O poder da visão de Helaena é outro tipo de instituição de legitimidade”, destacou a atriz. Um detalhe representativo dessa mudança é a cena em que Rhaenyra escolhe jogar um documento importante no chão, simbolizando sua rejeição às tradições.
O conflito interno de Rhaenyra
Ryan Condal, showrunner de A Casa do Dragão explicou que Rhaenyra passou boa parte da história dividida entre duas maneiras diferentes de enxergar o poder. “Grande parte desta temporada mostrou Rhaenyra dividida entre a filosofia de Viserys personificada por Mysaria e Alicent e a filosofia de Daemon, que representa fogo e sangue, o governo dos dragões, intransigente”, afirmou Condal. “Para ele, tudo é preto no branco, e sua construção de império, seus sonhos e ambições, os motivos pelos quais Viserys o preteriu na sucessão ao trono”, acrescentou.
Essa divisão faz com que Rhaenyra precise escolher entre manter os princípios defendidos por seu pai, Viserys Targaryen (Paddy Considine), ou adotar uma postura mais próxima de Daemon para vencer a guerra. “Rhaenyra se vê dividida entre esses dois caminhos, questionando-se: ‘Posso governar como mulher em tempos de guerra e ainda ser fiel aos motivos pelos quais Viserys me escolheu para governar, ou preciso simplesmente me tornar Daemon para vencer e manter tudo sob controle?’”, explicou o showrunner.
Condal também destacou que Rhaenyra não enxerga suas próprias atitudes como uma transformação em uma governante autoritária. “Da perspectiva de Rhaenyra, não se tratava de ser autoritária, mas sim de manter o controle, de manter o centro. E ela precisa fazer todos esses compromissos ao longo do caminho”, explicou.
A trajetória de Rhaenyra na quarta temporada
A decisão de Rhaenyra pode mudar completamente a trajetória da personagem na quarta temporada. Depois de perder Helaena e romper com antigas formas de legitimação, Rhaenyra agora parece cada vez mais disposta a fazer o necessário para permanecer no Trono de Ferro. A transformação, no entanto, não significa necessariamente que a personagem tenha deixado de acreditar que está fazendo o que é certo. Pelo contrário: é justamente a convicção de que precisa manter o controle que pode levá-la cada vez mais longe dos princípios que defendia no início da história.
Com a morte de Helaena e a rejeição às instituições tradicionais, Rhaenyra parece estar caminhando para um destino cada vez mais sombrio. A quarta temporada promete explorar as consequências dessa transformação, mostrando como a rainha lidará com os desafios de governar em tempos de guerra e como suas escolhas afetarão o futuro de Westeros.



