A Azzas 2154, nascida da união entre Arezzo&Co e Grupo Soma em fevereiro de 2024, está prestes a encerrar um ciclo. A empresa, que chegou ao mercado com a promessa de se tornar uma das maiores companhias de moda do Brasil, agora enfrenta uma reorganização societária que pode redefinir o setor.
A fusão, que inicialmente valia R$ 13 bilhões, viu seu valor cair para cerca de R$ 3,42 bilhões na B3, uma queda de aproximadamente 73%. Essa desvalorização reflete os desafios enfrentados pela empresa, incluindo a integração de marcas como FarmAnimaleReserva e Hering.
A ascensão e queda da Azzas 2154
A Azzas 2154 estreou na bolsa em agosto de 2024 com um valor de mercado de R$ 10,2 bilhões, abaixo da estimativa inicial. A estrutura da empresa previa uma divisão de poder entre os acionistas da Arezzo&Co e do Grupo Soma, com Alexandre Birman como CEO global e Roberto Jatahy liderando a operação de moda feminina.
No entanto, os meses seguintes foram marcados por ajustes na estrutura e revisões no portfólio. A empresa buscou simplificar a quantidade de marcas e concentrar recursos nos negócios mais promissores. Apesar desses esforços, as ações da Azzas começaram a perder valor, refletindo as dificuldades na integração das operações e a falta de sinergias esperadas.
O papel crucial da Farm na separação
A marca Farm tornou-se um ponto central nas discussões entre os acionistas. A Azzas espera receber propostas não vinculantes pela marca até o fim de setembro, com um valor próximo de US$ 1 bilhão. Essa operação representa uma parcela significativa da atual capitalização da Azzas e tem gerado debates sobre o futuro da marca.
Além da possível venda, a Azzas está considerando uma listagem da Farm nos Estados Unidos. A marca, que faz parte de uma sociedade própria, será controlada conjuntamente pela Arezzo&Co e pelo Grupo Soma após a separação.
A reorganização societária e seus impactos
A reorganização prevê a criação de duas companhias abertas independentes: a Arezzo&Co liderada pelo bloco de Alexandre Birman, e a Soma sob o comando do bloco de Roberto Jatahy. Cada empresa terá estruturas próprias de administração e governança.
A Arezzo&Co ficará com as marcas ArezzoSchutzAnacapriVansCarol Bassi além da Hering e suas extensões. Já a Soma concentrará AnimaleNVMaria FilóCris BarrosReserva e suas extensões, Oficina e Foxton.
A operação ainda depende de várias aprovações, incluindo a análise dos órgãos de administração da companhia, a aprovação dos acionistas em assembleia geral, o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a aprovação da listagem das ações no Novo Mercado da B3.
A separação da Azzas 2154 marca o fim de uma era no mercado de moda brasileiro. A reorganização pode trazer novas oportunidades para as marcas envolvidas, mas também representa um desafio significativo para os acionistas e investidores.



