A Citi acabou de revisar sua estimativa de preço para o Bitcoin passando de US$ 82 mil para US$ 113 mil ao longo dos próximos 12 meses. Essa correção representa um salto de 38% nas projeções e exige que a maior criptomoeda do mundo registre um aumento de cerca de 33,2% a partir do nível atual, em torno de US$ 84.836.
Junto ao Bitcoin o banco também ajustou a meta para o Ethereum. O analista Alex Saunders indica um preço-alvo de US$ 3.028 para o ether, frente aos US$ 2.240 anteriores, o que implica um potencial de alta de 12% considerando o valor de mercado vigente.
Fatores que sustentam a revisão de preço
Três pilares impulsionam a nova avaliação da Citi o ritmo de atividade nas cripto-moedas, o panorama macroeconômico global e a movimentação de capital rumo aos ETFs de Bitcoin e Ether. A estratégia conhecida como “debasement trade” tem ganhado força, pois investidores buscam ativos que ofereçam resistência à inflação diante da expansão da dívida pública e da impressão de dinheiro pelos bancos centrais. O impulso foi reforçado quando o Tesouro dos EUA dobrou seu programa de recompra de títulos, passando de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões.
Além disso, as recentes iniciativas regulatórias da SEC e da CFTC contribuíram para que os preços rompam médias móveis de 200 dias, devolvendo confiança ao mercado. “Os fluxos dos ETFs voltaram, conforme os preços romperam as médias móveis de 200 dias. Agora, nós assumimos US$ 5 bilhões como o cenário-base para os fluxos nos próximos 12 meses, ante expectativa de estabilidade, dado o sentimento positivo”, afirma o relatório liderado por Saunders.
Cenários projetados para o próximo ano
O estudo da Citi contempla três trajetórias distintas. No cenário base o crescimento de usuários das duas principais criptomoedas sobe 20%, complementado por entradas de US$ 5 bilhões nos ETFs de Bitcoin e US$ 1 bilhão nos de Ether, elevando o Bitcoin a US$ 113.416 e o ether a US$ 3.028.
Em um cenário pessimista o número de usuários cresce de forma contida, o ambiente macroeconômico se deteriora e há um fluxo líquido negativo de US$ 10 bilhões nos ETFs de Bitcoin e US$ 1 bilhão nos de Ether. Os preços recuariam para US$ 43.130 (Bitcoin) e US$ 1.157 (Ether).
Já o cenário otimista pressupõe uma adoção agressiva, melhora marcante nas condições macro e demanda de US$ 15 bilhões nos ETFs de Bitcoin e US$ 3 bilhões nos de Ether, projetando o Bitcoin em US$ 150.680 e o Ether em US$ 4.244.
Perspectiva de mercado para setembro e o esperado “Uptober”
Nos últimos dias de setembro, o desempenho da principal criptomoeda foi modesto, mas positivo: Bitcoin subiu 6,36% no mês, acumulando um ganho de mais de 42% no trimestre, passando de US$ 61.215 para US$ 87.180, segundo a pesquisa do CryptoRank. O analista Luis Kuniyoshi da Empiricus, destaca que o movimento de recuperação iniciado em 19 de agosto se manteve, permitindo ao Bitcoin superar índices como o S&P 500 o Nasdaq e o ouro.
Kuniyoshi atribui parte desse impulso a um ambiente de liquidez ainda favorável, apesar da alta dos juros globais. “O diferencial de juros (spreads) continua historicamente baixo, enquanto as bolsas americanas estão próximas das máximas”, observa o analista. Ele ainda ressalta que o custo do dinheiro aumentou, porém não há sinais claros de deterioração significativa nas condições financeiras ou na confiança econômica.
O mês de setembro também preparou o terreno para o chamado “Uptober”, tradicionalmente um dos melhores períodos para o Bitcoin. Segundo a Empiricus, a faixa entre US$ 82,5 mil e US$ 83 mil se consolidou como zona de suporte, e uma nova perna de alta liderada pelo Bitcoin, acompanhada de demanda contínua nos ETFs, poderia reforçar ainda mais o cenário positivo.
Além das forças macro, o avanço regulatório – ainda que o Clarity Act permaneça travado no Senado – tem trazido maior clareza ao setor, reduzindo a volatilidade de notícias negativas. Movimentos de short-squeeze também contribuíram para forçar investidores a recomprar o ativo em níveis mais altos, acelerando a valorização.
Em síntese, a combinação de projeções otimistas da Citi fluxo de capital nos ETFs e os indicadores de desempenho recentes apontam para um ainda mais favorável ao Bitcoin e ao Ethereum especialmente se outubro confirmar a tendência de alta típica do “Uptober”.



