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28 setembro 2026

Cenário de capital reduzido pode cortar 9% do EPS do UBS

UBS enfrenta redução de lucro ao discutir exigência de capital mais rígida no parlamento suíço.

Cenário de capital reduzido pode cortar 9% do EPS do UBS

A recente proposta de reforma de capital apresentada ao Parlamento suíço traz à tona um cenário que pode reduzir em 9% o lucro por ação (profit per share) do UBS Group AG. Analistas da Royal Bank of Canada (RBC) foram rápidos em apontar que a medida, ao exigir que 90% das filiais estrangeiras sejam lastreadas por CET1 – capital ordinário de nível 1 – cria um impacto direto nos resultados financeiros do banco.

Proposta da Câmara Alta e projeção de queda de 9% no lucro por ação

Na última semana a Câmara Alta do Parlamento suíço aprovou um plano que eleva o requisito de CET1 de 100% – cenário inicialmente defendido pelo governo – para 90%. Os analistas Anke Reingen, Sherry Lin e Susana Cruz, do RBC, descreveram a decisão como “próxima ao pior cenário possível” e calcularam que o UBS teria que reservar cerca de US$ 16 bilhões em capital adicional na sua unidade doméstica. Essa reserva, segundo a análise, provocaria uma queda de 9% no lucro por ação, pressionando a rentabilidade do banco.

Posicionamento do UBS e alternativas de mitigação

O UBS respondeu de forma contundente, afirmando que a regra dos 90% comprometeria sua competitividade internacional. O banco tem defendido o uso de títulos Additional Tier 1 (AT1) – dívida subordinada que pode ser convertida em capital ordinário de nível 1 em situações de crise – como parte da solução. Em nota, o executivo Sergio Ermotti descreveu a proposta de 90% como “não um compromisso real” e solicitou que a Suíça adote uma postura mais equilibrada.

Além disso, o UBS apoiou uma alternativa promovida pelo comitê econômico do Conselho de Estados (WAK-S), que propõe um modelo 50/50 para reforçar os instrumentos AT1. Segundo o banco, esse esquema protege os contribuintes tão bem quanto a proposta oficial, mas permite intervenções mais rápidas e menos onerosas, evitando, por exemplo, a suspensão de dividendos ou cortes de bônus que ocorreram no passado.

Trâmites futuros no Parlamento e possíveis desdobramentos

O próximo passo legislativo cabe à Câmara Baixa do Parlamento suíço. Debates e votação estão previstos para as sessões de outubro e novembro, com a expectativa de que a questão seja retomada na sessão de inverno, que ocorre de 30 de novembro a 18 de dezembro. Um grupo de parlamentares chegou a sugerir um nível de CET1 de 75% conforme informou o jornal NZZ, o que poderia gerar um confronto entre as duas casas e, eventualmente, um acordo de compromisso.

Os analistas do RBC concluíram que, agora que o cenário base está mais claro, o UBS pode avançar na elaboração de planos de mitigação. Embora não considerem a venda do banco ou de partes de suas operações como opções preferenciais, eles alertam que nenhuma comunicação ao mercado deve ser esperada até a definição final das regras. O debate em curso evidencia a tensão entre a necessidade de reforçar a resiliência do maior banco suíço e a preservação de sua competitividade global.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.