A recente proposta de reforma de capital apresentada ao Parlamento suíço traz à tona um cenário que pode reduzir em 9% o lucro por ação (profit per share) do UBS Group AG. Analistas da Royal Bank of Canada (RBC) foram rápidos em apontar que a medida, ao exigir que 90% das filiais estrangeiras sejam lastreadas por CET1 – capital ordinário de nível 1 – cria um impacto direto nos resultados financeiros do banco.
Proposta da Câmara Alta e projeção de queda de 9% no lucro por ação
Na última semana a Câmara Alta do Parlamento suíço aprovou um plano que eleva o requisito de CET1 de 100% – cenário inicialmente defendido pelo governo – para 90%. Os analistas Anke Reingen, Sherry Lin e Susana Cruz, do RBC, descreveram a decisão como “próxima ao pior cenário possível” e calcularam que o UBS teria que reservar cerca de US$ 16 bilhões em capital adicional na sua unidade doméstica. Essa reserva, segundo a análise, provocaria uma queda de 9% no lucro por ação, pressionando a rentabilidade do banco.
Posicionamento do UBS e alternativas de mitigação
O UBS respondeu de forma contundente, afirmando que a regra dos 90% comprometeria sua competitividade internacional. O banco tem defendido o uso de títulos Additional Tier 1 (AT1) – dívida subordinada que pode ser convertida em capital ordinário de nível 1 em situações de crise – como parte da solução. Em nota, o executivo Sergio Ermotti descreveu a proposta de 90% como “não um compromisso real” e solicitou que a Suíça adote uma postura mais equilibrada.
Além disso, o UBS apoiou uma alternativa promovida pelo comitê econômico do Conselho de Estados (WAK-S), que propõe um modelo 50/50 para reforçar os instrumentos AT1. Segundo o banco, esse esquema protege os contribuintes tão bem quanto a proposta oficial, mas permite intervenções mais rápidas e menos onerosas, evitando, por exemplo, a suspensão de dividendos ou cortes de bônus que ocorreram no passado.
Trâmites futuros no Parlamento e possíveis desdobramentos
O próximo passo legislativo cabe à Câmara Baixa do Parlamento suíço. Debates e votação estão previstos para as sessões de outubro e novembro, com a expectativa de que a questão seja retomada na sessão de inverno, que ocorre de 30 de novembro a 18 de dezembro. Um grupo de parlamentares chegou a sugerir um nível de CET1 de 75% conforme informou o jornal NZZ, o que poderia gerar um confronto entre as duas casas e, eventualmente, um acordo de compromisso.
Os analistas do RBC concluíram que, agora que o cenário base está mais claro, o UBS pode avançar na elaboração de planos de mitigação. Embora não considerem a venda do banco ou de partes de suas operações como opções preferenciais, eles alertam que nenhuma comunicação ao mercado deve ser esperada até a definição final das regras. O debate em curso evidencia a tensão entre a necessidade de reforçar a resiliência do maior banco suíço e a preservação de sua competitividade global.



