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26 setembro 2026

Reação de digital creators e artistas à MP que proíbe apostas online

Influenciadores, políticos e celebridades se enfrentam ao governo: a MP que proíbe as bets gera mobilização nas redes e debates sobre economia e saúde pública.

Reação de digital creators e artistas à MP que proíbe apostas online

Na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) que elimina a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas esportivas – as chamadas bets – no território nacional. O texto impede novos depósitos imediatamente e determina que sites e aplicativos parem suas atividades a partir de 6 de outubro.

Em reação, milhares de perfis digitais divulgaram, entre 25 e 26 de setembro, uma série de publicações em defesa do mercado regulado. Entre os nomes com maior alcance estão JoJo Todynho (29,6 milhões de seguidores), Jon Vlogs (10,7 milhões) e Davi Brito (7 milhões). Jon Vlogs, que já fez campanha para a casa Blaze, chegou a lançar sua própria plataforma, a Jonbet. Todos desativaram os comentários para evitar discussões acaloradas.

Mobilização digital e o manifesto #NósApostamosNoBrasil

As postagens utilizam a hashtag #NósApostamosNoBrasil e repetem a ideia de que proibir o jogo legal não elimina a demanda, mas a desloca para ambientes clandestinos. Um dos trechos mais citados afirma: “Regular é controlar, fiscalizar e proteger. Proibir é só perder o controle.” O documento, assinado por nove entidades – como a ABC-BetABFS e a ANJL – alerta para a perda de arrecadação estimada em bilhões de reais e para demissões em massa no setor.

Além das grandes vozes, o influenciador alagoano Rico Melquiades anunciou, em 26 de setembro, que deixará o Brasil para viver em Portugal a partir de outubro. Embora não tenha ligado a mudança à MP, ele já havia testemunhado a CPI das Bets no Senado, levantando questões sobre contratos entre influencers e casas de apostas.

Posições divergentes entre celebridades

O recorte da reação não ficou restrito ao universo dos criadores de conteúdo. A cantora Anitta celebrou a proibição, argumentando que a promessa de lucro fácil prejudica famílias vulneráveis e que o foco deve mudar para o fim da “escala 6×1”. Por outro lado, o ex-BBB Davi Brito – agora “coach de apostas” – defende maior fiscalização e combate às plataformas ilegais, mas se opõe ao banimento total. Felipe Neto também se manifestou, reconhecendo que divulgar bets foi seu pior erro e apoiando a medida, desde que haja mecanismos para limitar influenciadores que operem no exterior.

Outras figuras, como Luisa Mell e Dayanne Bezerra alinharam-se ao discurso de que o vício em apostas destrói lares e que a proibição poderia intensificar o mercado negro, expondo jogadores a serviços sem nenhum controle.

Impactos econômicos e regulamentação vigente

Em 2025, famílias brasileiras perderam cerca de R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas, segundo levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e do Centro Internacional Celso Furtado. No mesmo período, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões via Pix. Desde a regulamentação da quota fixa em 2023, a União arrecadou aproximadamente R$ 2,5 bilhões em taxas de outorga, cada licença custando R$ 30 milhões e tendo validade de cinco anos.

Os operadores afirmam que, além das outorgas, investiram intensamente em equipes, tecnologia e campanhas publicitárias. O ministro da Fazenda já sinalizou que não haverá devolução de valores pagos. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) alerta que um corte abrupto poderia gerar reivindicações judiciais cujos custos podem alcançar dezenas de bilhões de reais.

Em síntese, a MP assinada por Lula impulsionou uma disputa pública que mistura argumentos de saúde pública, proteção ao consumidor, preservação de receitas fiscais e liberdade de mercado. Enquanto o governo busca “efeitos visíveis” antes das eleições de outubro, o lobby digital insiste que a solução passa por regulamentação mais rigorosa e não por proibição absoluta.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.