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5 outubro 2026

Bolsonaro abre vantagem sobre Lula e impulsiona ETF brasileiro

Eleição surpreende e mexe com bolsa, enquanto EUA intervém no Caribe e G7 libera diesel.

Bolsonaro abre vantagem sobre Lula e impulsiona ETF brasileiro

O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras trouxe um resultado inesperado: Flávio Bolsonaro (PL) obteve cerca de 47,08% dos votos válidos, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou com 45,10%. A surpresa nas urnas reverberou imediatamente nos mercados financeiros, sendo o ETF EWZ – fundo que replica o MSCI Brazil – responsável por registrar um salto superior a 10% no after-market de Nova York. Essa reação positiva ocorreu antes mesmo da divulgação oficial dos demais indicadores econômicos, mostrando como a confiança do investidor pode mudar de forma abrupta diante de um cenário político inesperado.

Impacto imediato nas bolsas e nas expectativas de política econômica

No pregão de São Paulo o Ibovespa encerrou a sexta-feira acima dos 190 mil pontos fechando em alta de 2,63% e alcançando 192.114,55 pontos. O movimento de alta refletiu a tentativa dos participantes de mercado de ajustar posições antes da definição do segundo turno, prevista para 25 de outubro. Enquanto isso, o Banco Central se prepara para divulgar, às 08h25, o Boletim Focus que compila projeções de inflação, câmbio, juros e atividade. Às 9h30, os diretores Nilton David e Paulo Picchetti participarão de reunião trimestral com economistas, o que deve influenciar ainda mais as expectativas de política monetária.

Além do panorama interno, o calendário econômico traz dois PMI globais – um para o Brasil às 10h00 e outro para os Estados Unidos às 10h45 – que medirão a atividade do setor privado. O índice Purchasing Managers’ Index costuma ser usado como termômetro avançado da produção e da demanda, e, diante da incerteza política, os analistas observarão atentamente se a atividade real se mantém resiliente ou se sinaliza retração.

Desdobramentos internacionais: intervenções no Caribe e decisão do G7

Em paralelo ao turbilhão eleitoral brasileiro, a Guarda Costeira dos EUA interceptou, no dia 5 de setembro o navio de carga Grace de 91 metros de comprimento, navegando entre Cuba e México. Segundo comunicado oficial, a embarcação transportava combustível destinado à ilha, contrariando o embargo imposto pelo governo Trump. A operação demonstra como questões geopolíticas podem emergir simultaneamente a eventos domésticos, reforçando a complexidade do ambiente internacional.

Na mesma manhã, os países membros do G7 chegaram a um acordo para liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto das reservas de emergência, garantindo que não haja restrições às exportações de energia. Essa medida seguiu pressão exercida pelos Estados Unidos, que ameaçaram impor um bloqueio à exportação de diesel para a Europa caso não houvesse comprometimento. O gesto visa evitar rupturas no abastecimento europeu, que tem dependido cada vez mais do diesel norte-americano, e mitigar possíveis impactos econômicos decorrentes de um eventual embargo.

Repercussões políticas internas e movimentos no Congresso

Com a vitória no primeiro turno, Flávio Bolsonaro avança para o segundo turno com cerca de 47,12% dos votos válidos, enquanto Lula registra 45,06%. O Partido Liberal (PL) também ampliou sua presença no Congresso: nas eleições de domingo foram eleitos 19 senadores projetando uma bancada de 28 cadeiras a partir de 2027, a maior do Senado. Na Câmara dos Deputados, o PL garantiu 121 deputados superando os 98 atuais. Essa expansão legislativa pode mudar a dinâmica de negociação de políticas fiscais e reformas estruturais.

Ao mesmo tempo, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal, investigando supostos planos contra instalações diplomáticas dos Estados Unidos. As autoridades concluíram a operação sem encontrar indícios que corroborassem as suspeitas, ressaltando que a ação foi preventiva e fruto de cooperação com agências de inteligência estrangeiras.

Os números finais da apuração, com 99,97% das urnas contabilizadas, apontam para 56,098.457 votos para Flávio e 53,846.396 para Lula, com 78,92% de comparecimento e 21,08% de abstenção. Entre os demais candidatos, o escritor Augusto Cury (Avante) recebeu 3,447,885 votos (2,89%), e Renan Santos (Missão) ficou com 2,675,584 votos (2,25%). Votos em branco e nulos totalizaram 1,84% e 2,93% respectivamente.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa