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1 novembro 2026

Como manter o foco em provas longas e driblar distrações digitais

Estudante do Rio recupera horas de foco ao substituir o TikTok por leituras estruturadas, com apoio da escola e especialistas.

Como manter o foco em provas longas e driblar distrações digitais

Manter concentração contínua é um dos maiores desafios para quem se prepara para o ENEM ou vestibulares. Não basta saber a matéria; é preciso segurar a atenção por longos períodos. O caso de Rafaela Rieg, aluna de 17 anos do segundo ano da Escola Suíço-Brasileira (ESB) no Rio de Janeiro, ilustra bem essa dificuldade.

A história de Rafaela Rieg e o impacto do celular

Rafaela conta que, inicialmente, estudava cerca de uma hora sem sentir necessidade de pausa. Com o tempo, percebeu que, após aproximadamente 40 minutos começava a se desviar da tarefa. O gatilho principal era o celular. “Toda vez que eu ia estudar, acabava vendo alguma notificação no celular e me distraía totalmente, parando até de fazer a lição que eu estava fazendo”, relata a estudante.

Além das notificações, a presença constante de vídeos curtos nas redes sociais contribuiu para a perda de foco. Rafaela usava o TikTok como intervalo, mas o hábito acabou consumindo quase uma hora de estudo: “Eu entrava para ver vídeos por uns 15 minutos e acabava ficando 30 minutos a 1 hora distraída com os vídeos”. Essa prática fez com que a atenção se fragmentasse, prejudicando tanto as tarefas escolares quanto a preparação para provas de longo prazo.

Visões da ESB e do Sistema Positivo sobre atenção

Rachel Guanabara, diretora da ESB, destaca que provas como o ENEM exigem horas de leitura contínua. “É bem diferente de você estar numa concentração de uma rede social, em que está vendo pequenos vídeos curtos e a atenção rapidamente vai de um para o outro”. Para ela, dispersões pontuais são naturais, mas o estudante deve treinar o retorno ao conteúdo e a gestão do tempo.

Jones Brandão, professor e gerente de ensino e inovações do Sistema Positivo, compara a concentração a um músculo que precisa ser exercitado. Segundo ele, blocos de estudo com períodos definidos de foco e intervalos curtos preparam o aluno para a duração de provas. “Se o estudante treina e treina com foco, com interesse de ver aquilo de fato mudar, ele vai ter resultado”.

Brandão ainda aponta que o consumo frequente de vídeos curtos reduz a tolerância ao tédio, dificultando tarefas que exigem atenção prolongada: “À medida em que o vestibulando está ali muito entregue a esse consumo de vídeos curtos, todo esse estímulo gera nele uma baixa tendência ao tédio”. Por isso, recomenda um teste simples: tentar ler por 15 minutos sem buscar outra atividade. Se o estudante conseguir, indica que o nível de distração ainda não está crítico.

Estratégias práticas para treinar a concentração

Rafaela adotou a medida de afastar o celular durante os estudos, usando o computador apenas para atividades escolares. Na segunda semana de experimentação, conseguiu ler e resumir por mais de uma hora seguidos. “Comecei a estudar por 30 minutos, depois por 1 hora, depois por mais 3 horas e assim sucessivamente”, afirma.

Além da progressão de tempo, a leitura pode ser fortalecida com marcações no texto, definição de metas curtas e discussões posteriores com colegas. Essas práticas ampliam o repertório necessário para redações e questões dissertativas dos vestibulares.

Guanabara reforça que a solução não está em banir a tecnologia, mas em usá-la com intencionalidade. “Não temos que banir telas, banir todo tipo de tecnologia, porque as telas, as tecnologias, elas também nos ajudam”. O ponto central é evitar estímulos paralelos e escolher momentos específicos para pesquisa, exercícios e revisão.

Professores e diretores concordam que, com treinamento regular, a concentração pode ser fortalecida como qualquer outra habilidade cognitiva.

Beatriz Almeida