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1 novembro 2026

Plataforma MoBILab traz monitoramento multimodal ao estudo de risco mental

MoBILab traz acompanhamento simultâneo do cérebro e do corpo de jovens, abrindo caminho para diagnósticos precoces de transtornos mentais.

Plataforma MoBILab traz monitoramento multimodal ao estudo de risco mental

Um conjunto de dispositivos avançados, conhecido como MoBILab, começou a operar nos hospitais das Clínicas de São Paulo e de Porto Alegre. O laboratório integra, em tempo real, leituras de eletroencefalograma (EEG), rastreamento ocular (eye tracking) e sinais fisiológicos coletados por pulseira, possibilitando observar como o cérebro e o corpo respondem a tarefas cotidianas.

Essas medições são aplicadas ao Conexão Mentes do Futuro, projeto que acompanha 2.500 jovens de São Paulo e Porto Alegre há mais de quinze anos, com o objetivo de identificar fatores genéticos e ambientais ligados a transtornos mentais. A parceria entre o CISM e o Child Mind Institute, com aporte de R$ 1,5 milhão da Fapesp e da Stavros Niarchos Foundation, tornou possível a chegada da tecnologia ao Brasil.

Instalação e recursos da plataforma MoBILab

O equipamento está composto por três peças principais: um capacete de EEG que capta a atividade elétrica cerebral, óculos de eye tracking que registram a direção e o movimento dos olhos, e uma pulseira que monitora parâmetros como frequência cardíaca, respiração e condutância da pele. Durante as sessões, que duram cerca de uma hora e meia, os participantes executam atividades como desenhar com ambas as mãos, completar sequências alfabéticas e numéricas, assistir a vídeos e produzir sons em um microfone.

Todos esses dados são sincronizados e armazenados de forma multimodal, permitindo analisar simultaneamente padrões respiratórios, expressões faciais, gestos corporais e desempenho cognitivo. Essa integração cria um panorama detalhado do funcionamento neurobiológico em situações que vão desde a leitura de um texto até a interação com aplicativos digitais.

Aplicação no projeto Conexão Mentes do Futuro

Com o MoBILab, os pesquisadores ampliam a investigação de três gerações: os participantes originais, seus pais e agora seus filhos. Segundo o pesquisador André Simioni, a tecnologia elimina a dependência de autorrelatos e relatos parentais, possibilitando observar diretamente as “assinaturas biológicas” – EEG, rastreamento ocular e biossinais – dos descendentes. “Isso nos permite cruzar trajetórias de vida e diagnósticos dos pais com dados fisiológicos dos filhos”, afirmou Simioni, que recebeu treinamento em Nova York, na sede do Child Mind Institute.

A coleta de dados multimodais oferece uma nova lente para compreender como risco e resiliência se manifestam fisiologicamente. Os investigadores esperam transformar esses registros complexos em indicadores capazes de antecipar diagnósticos e orientar intervenções precoces, personalizando o acompanhamento de acordo com as necessidades individuais de cada criança.

Impacto intergeracional e perspectivas futuras

Além de potencializar a investigação científica, o MoBILab será integrado ao novo núcleo de pesquisa do CISM, denominado Módulo IV. Este núcleo, financiado com R$ 22,8 milhões da Fapesp e da Stavros Niarchos Foundation, concentra esforços em ciência de dados, neurociência, epidemiologia populacional e assistência em saúde mental para crianças, adolescentes e jovens adultos.

Com a colaboração de universidades como USP, Unifesp, UFRGS, Unicamp, UniFAJ e UniMAX, o projeto reúne uma rede multidisciplinar capaz de analisar grandes volumes de informação biológica e clínica. A expectativa é que, ao longo dos próximos anos, a combinação de tecnologia de ponta e abordagem longitudinal proporcione avanços significativos na prevenção de transtornos mentais, beneficiando não só a geração estudada, mas também as futuras gerações brasileiras.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa