Na madrugada de 1º de outubro, as salas brasileiras exibem Digger o mais recente projeto de Alejandro G. Iñárritu. O diretor, conhecido por Birdman e Amores Brutos traz desta vez um protagonista inesperado: Tom Cruise que se apresenta sob camadas de maquiagem tão diferentes que chegam a ser quase irreconhecíveis.
O filme chega ao público carregado de expectativas, sobretudo por reunir duas figuras de peso internacional. Enquanto Iñárritu busca reinventar sua linguagem visual, Cruise tenta um dos papéis mais arriscados da carreira, afastando-se dos personagens intrépidos de Top Gun e Missão Impossível.
Estreia e indicadores de aprovação
Nas primeiras 24 horas de exibição, Digger registrou 53% de aprovação no Rotten Tomatoes resultado obtido a partir de 116 críticas acumuladas. Esse percentual coloca o longa em posição de polarização, já que a média reflete tanto avaliações positivas quanto reservas severas. O consenso apontado pela agregadora descreve a obra como “uma sátira ambiciosa, porém confusa, que certamente dividirá o público”, destacando a entrega total de Cruise como elemento central.
Divisão de críticas especializadas
Matt Neglia, do Next Best Picture elogiou a performance de Cruise, chamando-a de “o papel mais dinâmico e interessante” da sua trajetória recente. Contudo, o crítico ressalta que a narrativa de Iñárritu peca ao ser sobrecarregada por “teatralidades absurdas, porém vazias”, impedindo que o ator explore toda a profundidade do personagem. Em tom semelhante, Anne Thompson, da IndieWire definiu Digger como um “filme de arte corajoso e deslumbrante”, prevendo melhor aceitação entre membros da Academy que entre o grande público.
Thompson ainda destacou a famosa sequência do anfiteatro como possível ponto de inflexão na avaliação de Cruise, e enalteceu a participação de Riz Ahmed como “fab”. A crítica de Thompson sugere que, embora o filme não conquiste a massa, ele tem grandes chances nas categorias técnicas e de atuação da premiação.
Enredo, personagens e ambições artísticas
Na trama, Cruise interpreta Digger Rockwell um magnata do petróleo cuja corporação provoca um desastre ecológico de proporções globais, desencadeando o deslocamento de uma enorme geleira rumo à Europa. A catástrofe iminente ameaça evoluir até um conflito nuclear, levando o protagonista a embarcar numa missão desesperada para se autoproclamar o salvador da humanidade. O roteiro, assinado por Iñárritu, Alexander Dinelaris, Nicolás Giacobone e Sabina Berman, alterna duas linhas temporais e utiliza uma estética desaturada para reforçar a sensação de um planeta em decomposição.
O elenco de apoio reúne nomes como John Goodman que encarna o presidente Compson com traços de figuras políticas contemporâneas; Sandra HüllerMichael StuhlbargJesse PlemonsSophie WildeEmma D’Arcy e Riz Ahmed. A combinação de atores consagrados e a direção ousada de Iñárritu criam um conjunto que, segundo os críticos, pode encontrar maior acolhimento nas votações da Academy sobretudo nas categorias de fotografia, design de produção e atuação.



