O Festival do Rio inicia sua 28ª edição nesta quinta-feira (1°) com o aclamado A Bola Preta produção da dupla espanhola Javier Calvo e Javier Ambrossi. O filme, vencedor do prêmio de direção em Cannes chega ao Brasil como forte candidato a diversas categorias do Oscar, prometendo conferir à mostra o prestígio de um título mundial.
O encerramento, programado para o dia 11 de outubro, reserva lugar ao polêmico Club Kid obra queer do emergente provocateur Jordan Firstman. O longa será exibido em duas cidades – Rio de Janeiro e Niterói – que juntas acomodam 15 endereços da mostra, reforçando a conexão entre a capital fluminense e sua fronteira marítima.
Estreia internacional e reconhecimento em Cannes
A abertura com A Bola Preta simboliza a ponte entre o cinema latino-americano e as grandes premiações europeias. Além de levar o troféu de direção de Cannes, o filme já se destaca nas discussões sobre possíveis indicações ao Oscar colocando o Festival do Rio como porta de entrada para obras de alto nível técnico e narrativo. Junto ao título principal, a curadoria inclui outras estreias globais, como Covarde de Lukas Dhont (Bélgica) e Rose de Markus Schleinzer (Áustria), amplificando a diversidade de estilos e nacionalidades presentes.
Encerramento queer e a força da programação LGBTQIA+
O Club Kid chega como a cereja final da programação, trazendo batidas frenéticas e uma abordagem provocadora da cultura club dos anos 80 e 90. Entre A Bola Preta e Club Kid a presença da sigla LGBTQIA+ permeia toda a seleção – tanto em longas como em curtas-metragem – incluindo produções brasileiras como A Margem do Rio (Enock Carvalho e Matheus Farias) e London (Victor Di Marco e Márcio Picoli).
A retrospectiva deste ano homenageia Rosa von Praunheim, um dos pioneiros do cinema queer alemão, com sessões de Não É o Homossexual que É Perverso, Mas a Situação em que Ele Vive e O Einstein do Sexo reforçando o compromisso da mostra com a história e a contemporaneidade do tema.
Olhares de Cannes, Veneza e Berlim no Rio de Janeiro
Além das obras já citadas, a 28ª edição traz seleções premiadas das três principais mostras do circuito: de Cannes destaca-se Um Homem do Seu Tempo (troféu de roteiro) e Para Sempre Seu Animal Materno (prêmio de atriz). Do Japão, Hirokazu Kore-eda apresenta Sheep in the Box os EUA contribuem com Gregg Araki e I Want Your Sex o Irã tem Contos Paralelos de Asghar Farhadi, que participará de sessões e bate-papo.
Do Veneza chegam o vencedor de melhor direção Dau (Ilya Khrzhanovsky) e o filme de abertura da competição italiana, Ink (Danny Boyle). Já da Berlim o Urso de Ouro Cartas Amarelas (Ilker Çatak) e o prêmio do júri Rainha ao Mar (Lance Hammer) marcam presença, juntamente com Todo Mundo Curte Bill Evans (Grant Gee), vencedor de melhor direção.
Entre as produções locais que usam o festival como trampolim, estão Feito Pipa (Allan Deberton), Vicentina Pede Desculpas (Gabriel Martins) e o documentário Fernanda dirigido por Pedro Waddington. O filme traça as mais de oito décadas de carreira da atriz Fernanda Montenegro, intercalando imagens de arquivo e registros familiares; a sessão no Cine Odeon, no dia 8 de outubro, conta ainda com a presença da homenageada.



