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17 setembro 2026

Desabamento de Prédio na Penha: Seis Vítimas Fatais e Investigações em Andamento

Um prédio de 11 andares desabou na Penha, zona leste de São Paulo, causando seis mortes e levantando questões sobre irregularidades na construção.

Desabamento de Prédio na Penha: Seis Vítimas Fatais e Investigações em Andamento

Na madrugada de sábado, 12, um prédio em construção desabou na Penha, bairro da zona leste de São Paulo, causando uma tragédia que deixou seis pessoas mortas. O acidente ocorreu por volta das 2h e atingiu uma residência vizinha, onde moravam nove pessoas. Entre as vítimas estão uma mulher grávida e uma menina de sete anos, cujo corpo foi localizado na tarde de domingo, 13, encerrando as buscas.

As operações de resgate mobilizaram dezenas de bombeiros, além de equipes da Defesa Civil e da Prefeitura. Duas pessoas, um homem e uma criança, foram resgatadas com vida e encaminhadas ao Hospital Municipal do Tatuapé – Dr. Cármino Caricchio. A Defesa Civil interditou três residências no mesmo terreno e mantém equipes na região para investigar as causas do desabamento.

O Desabamento e as Buscas

O prédio de 11 andares desabou e atingiu a casa vizinha, onde morava uma família boliviana que também mantinha uma oficina de costura no local. Os trabalhos de busca duraram mais de 24 horas e envolveram cães farejadores e equipamentos especializados. As fortes chuvas que atingiram a cidade durante a madrugada não foram consideradas a única causa do acidente.

A Prefeitura de São Paulo abriu uma apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM) para investigar os procedimentos de fiscalização. A construção começou em 2019 sem alvará e foi alvo de sucessivas fiscalizações, com multas aplicadas e interdições determinadas. Um pedido de alvará apresentado naquele ano havia sido negado, e a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça em 2021 para paralisar os trabalhos.

Investigações e Responsabilidades

A Justiça decretou a prisão temporária de três investigados ligados à construção: Ronaldo Vivacqua, Cristiano Vivacqua e Isis Brandão. Ronaldo, apontado como sócio oculto, negou envolvimento com a construtora responsável pela obra. A polícia afirma que ele atuava na administração da empresa e participava efetivamente da obra.

Os delegados investigam se os responsáveis pela construção tinham conhecimento de problemas de estabilidade antes do desabamento. Vizinhas relataram rachaduras na casa atingida, e a polícia apura se os responsáveis sabiam desses problemas. A construtora New Home Construtora informou que abriu uma investigação interna e afirmou que não se exime de eventual responsabilidade.

Histórico de Irregularidades

O alvará concedido para uma nova edificação estava condicionado à demolição da estrutura anterior, mas essa condição não foi cumprida. A Polícia Civil afirma que a servidora responsável pelo laudo que atestou a demolição foi afastada inicialmente por 30 dias. A defesa dos investigados nega irregularidades e afirma que a obra estava regular, com documentos que revertem a determinação de demolição.

A construtora afirmou que está prestando apoio às famílias afetadas e que dará os esclarecimentos necessários às autoridades. A investigação continua para determinar as causas exatas do desabamento e as responsabilidades envolvidas.

Beatriz Almeida