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17 setembro 2026

Documentação avança, mas preconceito persiste: o cenário da inclusão profissional em 2026

A obtenção de laudos médicos para processos seletivos avançou significativamente, mas o preconceito continua sendo um grande desafio para a inclusão profissional de pessoas com deficiência.

Documentação avança, mas preconceito persiste: o cenário da inclusão profissional em 2026

A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho tem mostrado avanços significativos, mas ainda enfrenta desafios consideráveis. A nova edição da pesquisa Nacional PcD da Catho revela que, embora a obtenção de documentação necessária para processos seletivos tenha aumentado, o preconceito ainda é um grande obstáculo.

Em 2026, 91,4% dos profissionais com deficiência afirmam possuir a documentação necessária, um aumento de 33,7 pontos percentuais em relação a 2026. No entanto, 38% desses profissionais ainda estão desempregados, indicando que a documentação é apenas uma das etapas da jornada de inserção profissional.

Documentação: um avanço, mas não a solução

A obtenção do laudo médico, embora essencial para acessar oportunidades previstas na Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991), pode representar um custo adicional para os candidatos. 38,81% dos respondentes afirmam ter pago pela emissão do laudo, mostrando que parte dos profissionais precisa investir financeiramente para cumprir essa exigência.

Patrícia Suzuki diretora de RH da Redarbor Brasil detentora da Catho, destaca que a inclusão profissional não termina com a obtenção do laudo. “É preciso garantir que esses profissionais encontrem oportunidades compatíveis com suas competências e que os processos seletivos sejam acessíveis, claros e capazes de avaliar o potencial dos candidatos”, afirma.

Preconceito e discriminação no ambiente de trabalho

A pesquisa também revela um aumento significativo no preconceito contra pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. Em 2026, 58,44% dos profissionais afirmam ter sofrido ou presenciado preconceito, um aumento de 15,93 pontos percentuais em relação a 2026.

Além disso, 45% dos entrevistados deixaram de mencionar sua deficiência em processos seletivos por medo de sofrer preconceito. Quase todos (75%) afirmaram que as empresas só contratam pessoas com deficiência para cumprir as exigências da Lei de Cotas.

Suzuki ressalta que o preconceito pode se manifestar de diferentes formas, desde comentários discriminatórios até a subestimação de capacidades. “É importante não olhar apenas para situações explícitas de discriminação. O preconceito também pode estar presente em decisões e expectativas que limitam a trajetória profissional da pessoa com deficiência”, explica.

Busca por oportunidades e a importância da inclusão

Os dados mostram que os profissionais com deficiência estão ativos no mercado de trabalho. Entre os respondentes que estão empregados, 30,17% afirmam estar procurando uma nova oportunidade. Somados aos 38% que estão desempregados, os dados indicam uma parcela expressiva de profissionais PcD em movimento no mercado de trabalho.

Para a Catho, os resultados reforçam a importância de ampliar o acesso dos profissionais PcD a oportunidades compatíveis com seus perfis e de promover processos seletivos mais acessíveis e inclusivos. O acompanhamento contínuo do mercado de trabalho, por meio de pesquisas e da análise de seus indicadores, também é fundamental para compreender os desafios enfrentados por esses profissionais.

Suzuki destaca que a inclusão não termina com a contratação. “É necessário acompanhar a jornada desses profissionais e assegurar se eles estão tendo acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento, capacitação, reconhecimento e crescimento. Uma política de inclusão efetiva precisa combinar acesso, acessibilidade, respeito e perspectiva de carreira”, conclui.

Beatriz Almeida