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17 setembro 2026

Ex-banqueiro do Banco Master tenta acordo de colaboração com autoridades

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, busca uma nova delação premiada após falhas em tentativas anteriores. Descubra os detalhes da estratégia jurídica e as reações das autoridades.

Ex-banqueiro do Banco Master tenta acordo de colaboração com autoridades

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro ex-controlador do Banco Master está reformulando sua estratégia jurídica em busca de uma nova delação premiada com o Supremo Tribunal Federal (STF). Após duas tentativas frustradas de anular o processo ou negociar com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) Vorcaro contratou novos advogados para tentar destravar o canal de diálogo com o ministro André Mendonça e obter liberdade.

A defesa de Vorcaro está apostando todas as fichas em uma proposta de colaboração premiada inédita e robusta. O objetivo é reconstruir a confiança com as autoridades e mostrar transparência total. O novo advogado criminalista Daniel Bialski assumiu a linha de frente para negociar diretamente com o STF. A intenção não é apenas ajustar o que já foi negado, mas recomeçar do zero, permitindo que Vorcaro fale por várias horas diárias para detalhar todo o funcionamento do esquema no Banco Master.

Por que as propostas anteriores foram rejeitadas?

A Polícia Federal e a PGR recusaram os acordos passados por três motivos principais. Primeiro, Vorcaro se recusava a assumir formalmente que cometeu os crimes, o que é um passo básico para quem quer ser delator. Segundo, não houve clareza sobre o destino do dinheiro desviado e os valores que seriam devolvidos aos cofres públicos. Por fim, os investigadores alegaram que o banqueiro não trouxe fatos novos, apresentando apenas informações que a polícia já tinha descoberto ao analisar celulares e computadores apreendidos na operação.

Reações das autoridades à nova tentativa

O cenário atual é de forte resistência e ceticismo dentro das instituições. Na PGR a percepção interna é de que as chances de negociação com Vorcaro já se esgotaram. Os investigadores acreditam que, por ser a terceira tentativa, o movimento é puramente calculado e carece da espontaneidade necessária para um benefício judicial. Até o ministro André Mendonça sinalizou anteriormente que não faz questão de uma delação. A defesa, contudo, acredita que se apresentar provas realmente inéditas e assumir as culpas, poderá reverter essa indisposição e conseguir a prisão domiciliar.

Impactos das investigações sobre a família de Vorcaro

A pressão sobre o ex-banqueiro é ampliada pelo fato de que três familiares próximos também estão presos devido ao colapso do Banco Master. Estão na cadeia o seu pai, Henrique Vorcaro um primo e um cunhado. Todos são alvos da Operação Compliance Zero que investiga fraudes estimadas em 60 bilhões de reais. Essa situação familiar é vista por investigadores como um dos principais motivos para Vorcaro insistir tanto em um acordo de colaboração, na tentativa de aliviar não apenas a sua própria condição no cárcere, mas também a dos parentes envolvidos nas apurações da fraude financeira.

A Polícia Federal tem deixado claro que não se nega a discutir nenhuma proposta de colaboração, mas que é necessário que seja produtiva e permita o avanço da investigação sobre fatos novos. O objetivo dos adiamentos seria ganhar tempo para organizar as informações e apresentar uma nova proposta de colaboração premiada com novos elementos quando Vorcaro tiver que falar às autoridades.

Até o momento, porém, as tratativas da defesa com a PF neste sentido ainda não começaram. A defesa do ex-banqueiro informou que não iria se manifestar sobre o assunto.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.