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17 setembro 2026

GPA busca aprovação de plano de recuperação extrajudicial em São Paulo

O GPA, controlador do Pão de Açúcar, busca aprovar seu plano de recuperação extrajudicial, mas o MP-SP questiona a diversidade de credores incluídos.

GPA busca aprovação de plano de recuperação extrajudicial em São Paulo

O GPA proprietário da rede Pão de Açúcar está em um impasse com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre seu plano de recuperação extrajudicial. A empresa, que enfrenta uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 bilhões recebeu um prazo de 5 dias para responder às impugnações apresentadas pelo MP-SP e outros credores.

A decisão, proferida pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo na última sexta-feira (28), segue a manifestação do MP-SP contra a homologação imediata do plano. O GPA, por sua vez, defende a legalidade do plano e confia na rejeição das impugnações.

O conflito entre diversidade de credores e homogeneidade exigida

O MP-SP argumenta que o GPA reuniu credores de naturezas diversas sob o mesmo plano, o que não refletiria a identidade econômica exigida pela legislação. O grupo inclui credores financeiros, debênturistas, titulares de CRIs e CCBs, além de bancos e fundos de investimento.

Segundo o GPA, 57,4% dos detentores de dívida aceitaram o plano, representando R$ 2,6 bilhões da dívida total. A empresa destaca que 91,6% dos créditos inseridos no processo decorrem de instrumentos financeiros, o que, para o MP-SP, pode impor a aprovação do plano sobre a minoria dos credores.

As opções de pagamento e a visão do MP-SP

O plano oferece três opções de tratamento do crédito. A opção A escolhida por 88,4% dos credores, é vista pelo MP-SP como vantajosa para investidores profissionais. O promotor Roberto de Campos Andrade questiona a classificação de operações financeiras como não correntes e a falta de transparência sobre os benefícios econômicos exatos da opção A.

Andrade também pede a nomeação de um profissional especializado para resolver o caso antes da aprovação do plano. O MP-SP afirma que, embora não seja contra a recuperação extrajudicial, o plano atual está em desacordo com a legislação e princípios como a isonomia e a proteção da minoria.

A defesa do GPA e os riscos da crise financeira

Em resposta, o GPA argumenta que a nomeação de um profissional é desnecessária e que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) permite a reunião de créditos de mesma natureza. A empresa nega ter selecionado credores distintos e afirma que reuniu apenas a classe de quirografários.

O GPA destaca que a composição majoritariamente financeira dos credores quirografários não é anormal, mas sim um reflexo da maioria das empresas em crise, especialmente no varejo. A empresa alerta que, se o parecer do MP-SP for aceito, a crise financeira poderia se agravar, aumentando o risco de transformar a reestruturação em uma recuperação judicial.

Em nota, o GPA afirma que o plano respeita a legislação e foi amplamente debatido com os credores, garantindo transparência e isonomia. A empresa destaca que as impugnações ao plano foram apresentadas por apenas sete credores, representando menos de 8% da dívida reestruturada.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.