Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Buybacks e pagamentos de dividendos registram alta histórica em 2026

Recompras de ações avançam mais de 26% e dividendos batem recorde, com tecnologia liderando e riscos surgindo da corrida à inteligência artificial.

Buybacks e pagamentos de dividendos registram alta histórica em 2026

O índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson divulgou, na terça-feira (15), números que revelam um ritmo acelerado de retorno de capital aos acionistas durante o segundo trimestre de 2026. No comparativo anual, as recompras de ações subiram 26,8%, totalizando US$ 572 bilhões, enquanto os dividendos alcançaram US$ 757,8 bilhões, crescimento subjacente de 7,3%.

Compras de ações impulsionam fluxo de caixa corporativo

O salto de 26,8% nas recompras colocou a Salesforce à frente da lista, tirando da liderança a Apple que havia sido a maior compradora nos quatro trimestres anteriores. O setor de tecnologia ultrapassou o financeiro como principal fonte de buybacks, movimentando US$ 121,1 bilhões, contra US$ 104 bilhões do segmento financeiro. No top-4, além da Salesforce, aparecem Toyota e Nvidia. Sete das dez maiores recompradoras pertencem a empresas de tecnologia ou finanças, e os 20 primeiros representantes somam US$ 176 bilhões, equivalentes a 30,8% do total global.

Geograficamente, os Estados Unidos concentram a maior parcela, com US$ 302,1 bilhões, seguidos pelo Japão (US$ 36,3 bilhões) e Canadá (US$ 19,7 bilhões). A Europa – excluindo o Reino Unido – entregou US$ 19,6 bilhões, com a Alemanha liderando o bloco. Na América Latina, o Brasil destacou-se ao recomprar US$ 1,1 bilhão, líder regional.

Jane Shoemake, líder de CPM de Ações para a região EMEA na Janus Henderson, aponta que muitas empresas de tecnologia estão investindo pesado em infraestrutura de IA, como data centers, e, ao mesmo tempo, mantêm programas de recompra robustos. Ela alerta que a combinação de caixa em retração e aumento de dívida pode gerar tensão de médio prazo, pois “as recompras tendem a ser a primeira alavanca ajustada pelas empresas, em vez dos dividendos regulares”.

Dividendos recordes e novas lideranças no pagamento

O volume de dividendos pagos no trimestre chegou a US$ 757,8 bilhões, com crescimento subjacente de 7,3% e alta nominal de 3,2%. Saudi Aramco permanece a maior pagadora, respondendo por 3,1% do total, seguida por Nestlé e HSBC. As 20 maiores distribuidoras somaram US$ 136,2 bilhões, representando 18% dos pagamentos globais.

Um destaque inesperado foi a entrada da Nvidia entre as dez principais pagadoras, depois de elevar o dividendo por ação de US$ 0,01 para US$ 0,25. Embora a tecnologia apresente o maior crescimento percentual de dividendos – 23,5% – ainda representa um segmento de baixa renda relativa, totalizando US$ 70,5 bilhões, atrás do setor financeiro que distribuiu US$ 239,7 bilhões.

Nos Estados-Unidos, os pagamentos alcançaram US$ 177,2 bilhões, crescendo 9,4%. O Japão registrou alta de 18,2%, enquanto a Europa – excluindo o Reino Unido – distribuiu US$ 242,3 bilhões, porém com crescimento tímido de 3,2%. Na América Latina, o total foi de US$ 11,5 bilhões, dos quais o Brasil liderou com US$ 4,4 bilhões e alta de 12,8%, impulsionada principalmente pela JBS que aumentou o DPS de US$ 0,35 para US$ 1,00.

Perspectivas e desafios para 2026

Para o restante do ano, a Janus Henderson projeta um incremento de 7% a 8% nas recompras de ações e de 5% a 6% nos dividendos. Contudo, a gestora alerta para riscos estruturais: a escalada dos gastos em inteligência artificial pode forçar as empresas a escolher entre financiar novos projetos, manter flexibilidade financeira ou sustentar o ritmo atual de buybacks.

Além disso, fatores geopolíticos e pressões inflacionárias continuam a monitorar a estabilidade dos fluxos de caixa. O consumo discricionário ainda apresenta vulnerabilidades, sobretudo em mercados onde a confiança do consumidor está fragilizada. Assim, investidores deverão observar a capacidade das companhias de equilibrar investimentos estratégicos com a política de retorno ao acionista.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa