O presidente dos Estados UnidosDonald Trump anunciou uma ofensiva econômica sem precedentes contra o Irã prometendo medidas que visam isolar o país de forma inédita. As novas sanções, que serão anunciadas na próxima segunda-feira, têm como objetivo asfixiar economicamente o Irã e seus principais parceiros comerciais, incluindo a China e a Índia.
Em uma publicação na Truth Social Trump afirmou que a campanha será a operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país. Segundo ele, qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará consequências econômicas enormes.
Parceiros comerciais do Irã sob risco
A China é o principal parceiro comercial do Irã, com exportações que somaram US$ 22 bilhões em 2026. Já as importações chinesas do Irã chegaram a US$ 15 bilhões no mesmo ano. A Índia por sua vez, aparece em segundo lugar, com um comércio que somou US$ 1,34 bilhão nos primeiros dez meses de 2026.
Outros grandes parceiros comerciais do Irã incluem AlemanhaCoreia do Sul e Japão países que são aliados dos Estados Unidos. Apesar das sanções, o Irã mantém uma vasta rede de parceiros comerciais, tendo exportado produtos para 147 países em 2026, segundo dados do Banco Mundial.
Estratégias e possíveis alvos das novas sanções
Trump não detalhou como a ofensiva vai funcionar, mas especialistas apontam para possíveis alvos, como refinarias independentes da China e bancos chineses. As refinarias independentes chinesas, conhecidas como teapots respondem por um quarto da capacidade de refino da China e são vulneráveis a sanções secundárias.
O Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) já impôs sanções a mais de mil pessoas, embarcações e aeronaves desde o início do segundo mandato de Trump. Medidas recentes incluem o congelamento de cerca de US$ 500 bilhões em criptomoedas ligadas ao Irã.
Outras estratégias podem incluir sanções a bancos chineses e a empresas que facilitam a troca de receitas iranianas com petróleo por produtos importados. No entanto, essas medidas equivalem a um jogo de gato e rato já que o Irã frequentemente cria novas entidades para substituir aquelas atingidas.
Impacto global e possíveis retaliações
As novas sanções podem ter um impacto significativo nas relações comerciais globais, especialmente entre os Estados Unidos e a China. Autoridades americanas têm procurado minimizar as tensões antes de um encontro esperado entre Trump e o presidente Xi Jinping ainda este ano.
Há preocupação de que a China possa restringir as exportações de minerais críticos essenciais à produção de tecnologias avançadas, em um momento em que os EUA e seus aliados ocidentais ainda tentam desenvolver fontes próprias de suprimento.
Além disso, um bloqueio terrestre, que exigiria a colaboração dos países vizinhos do Irã, poderia aumentar a pressão sobre a população iraniana, mas especialistas afirmam que uma medida desse tipo seria difícil de implementar.
Trump também ameaçou impor tarifas sobre produtos de países que fazem negócios com o Irã, embora a Suprema Corte tenha derrubado a base jurídica usada para esse tipo de tarifa. Um projeto de sanções contra a Rússia que inclui novas sanções ao Irã, ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados americana.



