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17 setembro 2026

Incêndios na Europa em 2026: causas, impactos e medidas de prevenção

Os incêndios florestais na Europa estão se tornando mais intensos devido às mudanças climáticas. Descubra como investimentos contínuos em prevenção podem ajudar, mas a mitigação das emissões é crucial.

Incêndios na Europa em 2026: causas, impactos e medidas de prevenção

Os incêndios florestais na Europa estão se tornando mais intensos e frequentes, e as mudanças climáticas são um dos principais fatores por trás desse fenômeno. Em 2026, o continente enfrenta um aumento alarmante na área queimada, com consequências devastadoras para a flora, fauna e comunidades locais.

Um estudo recente publicado no periódico Global Change Biology revela que, em um cenário de 3,6°C de temperatura global acima dos níveis pré-industriais, a área anual queimada no continente poderia aumentar em 192%. Esse cenário catastrófico destaca a urgência de medidas eficazes para conter as emissões de gases de efeito estufa.

O impacto das mudanças climáticas nos incêndios florestais

As condições climáticas extremas estão criando um ambiente propício para incêndios florestais mais intensos e difíceis de controlar. O Índice Meteorológico de Incêndio (FWI) que congrega dados como temperatura, precipitação, ventos e umidade do material vegetal combustível, aumentou 50% em áreas da Península Ibérica e da França nas últimas décadas.

Maik Billing, do Instituto Potsdam de Pesquisa Climática (PIK) explica que as condições climáticas propícias a incêndios estão se aproximando cada vez mais da Europa Central. Além disso, o período do ano em que os incêndios podem ocorrer está se tornando mais longo e com intensidade mais elevada, o que explica grande parte do aumento da atividade de incêndios florestais.

Medidas de prevenção e adaptação

O estudo também destaca os efeitos positivos do investimento contínuo no manejo dos incêndios. No pior cenário, evoluir continuamente na prevenção do problema teria potencial para deter 72% da área queimada. Com um aquecimento dentro da meta, o trabalho de prevenção chegaria a 92% quase neutralizando a questão.

“Esse é o lado bom da história: investimentos contínuos em medidas climáticas e na prevenção e combate a incêndios florestais podem ajudar até certo ponto”, afirma Billing. No entanto, ele alerta que, se não tomarmos medidas de mitigação das mudanças climáticas, teremos cada vez mais eventos extremos no futuro, o que poderá limitar o gerenciamento de incêndios de maneira geral.

O papel da mitigação das mudanças climáticas

A mitigação das mudanças climáticas está, na verdade, ficando em segundo plano. Este estudo realmente destaca como ela é importante. As emissões globais de gases de efeito estufa foram recorde em 2026, e nada indica que o caminho será diferente em 2026.

“A mitigação das mudanças climáticas está, na verdade, ficando em segundo plano. Este estudo realmente destaca como ela é importante”, afirma Billing. Os debates sobre os incêndios florestais na Europa geralmente ficam presos às questões imediatas de adaptação, mas a causa primordial do problema — o aquecimento global — muitas vezes é negligenciada.

Em 2026, a Europa enfrenta uma temporada de incêndios florestais particularmente grave. Três pessoas morreram em uma nova onda de incêndios florestais na Europa no dia 16 de agosto. A polícia local encontrou dois corpos na Ilha de Salamina, na Grécia, perto de praias ocupadas por moradores. Um militar espanhol perdeu a vida na região de Aragão quando o veículo da equipe capotou durante o combate às chamas.

O fogo destruiu 16,6 mil hectares de mata no nordeste espanhol e ameaçou dois mosteiros antigos de San Juan de la Peña. A Defesa Civil da região retirou mais de mil pessoas de casa. Em solo grego, o fogo atingiu duas ilhas de forma simultânea. As equipes conseguiram controlar as chamas na Ilha de Skyros, local populoso durante o verão.

Centenas de bombeiros tentam conter focos no norte de Portugal, perto da fronteira com a Espanha. Cinco agentes sofreram ferimentos na cidade de Dine. O parque natural de Hautes Fagnes, na Bélgica, perdeu 3 mil hectares de vegetação no pior incêndio da história do país. A fumaça belga atravessou a fronteira e forçou a Prefeitura de Monschau, na Alemanha, a esvaziar duas ruas de um bairro.

A queda da temperatura no sudoeste da França ajudou os 550 bombeiros a conterem as chamas, que queimaram 1,7 mil hectares de floresta em Landes. O governo da Andaluzia, no sul da Espanha, estabilizou o fogo na província de Huelva depois que as chamas queimaram 38 mil hectares. O recuo do perigo libera o retorno de 400 moradores para suas residências.

Na França, 474 pessoas foram detidas, segundo o Ministério do Interior. Cerca de 70% são suspeitas de terem provocado incêndios deliberadamente, enquanto as demais teriam causado as chamas de forma acidental. Entre os detidos, estão 183 menores de idade. Das 281 prisões realizadas na Grécia, 252 foram por incêndios provocados por negligência e 29 por incêndio criminoso intencional.

Em períodos de seca como o atual, as condições necessárias para que uma chama se espalhe são ainda mais favoráveis. Segundo Eric Dufayet, investigador francês especializado em incêndios, basta um simples isqueiro para iniciar um fogo em determinadas condições.

O especialista explica que, no caso de cigarros, uma combinação de temperatura de pelo menos 30°C umidade de no máximo 30% vento inferior a 30 km/h e parte do cigarro ainda acesa pode ser suficiente para desencadear um incêndio.

Três em cada cinco europeus enfrentam nesta sexta-feira temperaturas de pelo menos 30°C enquanto cerca de 150 milhões de pessoas estão submetidas a 35°C ou mais. Na Europa Ocidental, a máxima média prevista era de 31,2°C8°C acima da média registrada entre 1961 e 1990, segundo dados do Reuters Climate Monitor.

O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, alertou para condições “muito extremas” em uma extensa área da Europa Central e Oriental, além de regiões do sul do Reino Unido, Irlanda, norte da França e sul da Suécia.

É nesse ambiente que França, Espanha, Croácia, Alemanha, Grécia e Reino Unido enfrentam incêndios que já destruíram áreas extensas, atingiram casas e obrigaram milhares de pessoas a deixar suas residências.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.