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17 setembro 2026

Operação Vectura Corrupta prende candidato e ex-presidente da Câmara

Polícia prende Danilo Morgado e busca ex‑presidente da Câmara, apontando financiamento do PCC à campanha e tentativa de dominar o transporte público.

Operação Vectura Corrupta prende candidato e ex-presidente da Câmara

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada na manhã de quinta-feira, 17 e tem como objetivo desmontar um suposto plano de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos poderes público e privado de São Paulo. Os investigadores cumpriram 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Prisões de destaque: Danilo Morgado e Milton Leite

Entre os detidos, destaca-se Danilo Morgado (PL-SP), candidato à Prefeitura de Praia Grande, e o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). Morgado foi preso após a descoberta de mensagens trocadas com membros da facção, incluindo José Daniel Satilite que tratavam de aportes financeiros para a sua campanha. A polícia descreveu o vínculo como “forte” e indicou que o PCC teria financiado a candidatura ao município. Em contrapartida, Leite foi considerado foragido; ele afirma estar em viagem e promete se apresentar em até 24 horas.

Financiamento ilícito e controle do transporte coletivo

A investigação apontou que, além do apoio direto à campanha de Morgado, o PCC teria buscado influenciar o sistema de transporte coletivo da capital. Foram identificadas 12 empresas de ônibus – entre elas Transwolff, UPBus e Viação Transcap – que, segundo a polícia, seriam controladas direta ou indiretamente pela facção. Interceptações mostraram que decisões estratégicas sobre licitações e operação das linhas dependiam da aprovação política de Milton Leite, que, segundo depoimentos, seria o verdadeiro dono da Transwolff.

“Sintonia dos Gravatas”: advogados como ponte entre a facção e o poder

Outro elo da suposta rede é a chamada “Sintonia dos Gravatas” um grupo de advogados que teria usado o exercício da profissão para facilitar negócios do crime organizado. Nomeados nas investigações estão Cícero José dos Santos Filho, Milton Mello Milreu e Eduardo Medeiros, ligados a Satilite e a empresas de transporte. Os investigadores alegam que escritórios foram usados como sede de reuniões e que contas bancárias de advogados movimentaram recursos vinculados ao PCC.

Defesas e declarações públicas

O advogado Marcelo Viela responsável por Danilo Morgado, afirmou que o candidato ainda está sendo informado das acusações e que a defesa nega veementemente qualquer irregularidade na campanha ou ligação com organização criminosa. Já Milton Leite, por meio de nota, assegurou que não está foragido, que voltará ao país dentro do prazo estabelecido e que provará sua inocência em todas as acusações.

Além dos dois principais alvos, a operação prendeu Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e outros 14 investigados, entre empresários e policiais. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Gaeco, seguem analisando as evidências, que sugerem movimentação de até R$ 8 bilhões em esquemas de lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas eleitorais.

Rafael Oliveira