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17 setembro 2026

Investigação da PF aponta possível organização criminosa ligada ao filme ‘Dark Horse’

A operação Make Up da PF busca esclarecer a relação entre emendas parlamentares e a produção do filme 'Dark Horse', com suspeitas de formação de organização criminosa.

Investigação da PF aponta possível organização criminosa ligada ao filme 'Dark Horse'

A Polícia Federal deflagrou, em 12 de dezembro de 2025, a operação Make Up que investiga um possível esquema envolvendo o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro intitulada Dark Horse. A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal busca esclarecer a aplicação de recursos públicos em benefício da produção cinematográfica.

A investigação teve início a partir de uma auditoria da Controladoria Geral da União sobre a aplicação de emendas parlamentares. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas de Frias. A produtora GoUp Entertainment de propriedade de Karina Gama, também foi alvo da operação.

Circuito financeiro fechado e indícios de organização criminosa

A Polícia Federal destaca que há fortes indícios de uma organização criminosa estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas. A investigação aponta para um circuito financeiro fechado entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária.

Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São PauloRio de JaneiroCeará e Distrito Federal. A PF também destaca o envio de R$ 645,4 mil por Frias à GoUp. A investigação indica que os rendimentos mensais do deputado eram de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para sustentar os repasses realizados à empresa de Karina Gama.

Relação entre emendas parlamentares e a produção cinematográfica

A apuração da PF não afirma que recursos das emendas parlamentares tenham financiado diretamente o filme Dark Horse nem que a produção integre a suposta organização criminosa. No entanto, a relação descrita pela investigação envolve a produtora do filme, pessoas e empresas investigadas e as movimentações financeiras analisadas.

A investigação destaca que a circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária não se compatibiliza com relações negociais independentes e economicamente justificadas. Ao contrário, evidencia um circuito financeiro fechado, característico de estruturas destinadas à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação.

O Poder360 procurou o gabinete de Mario Frias e a defesa da GoUp Entertainment para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da operação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.