A Polícia Federal deflagrou, em 12 de dezembro de 2025, a operação Make Up que investiga um possível esquema envolvendo o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro intitulada Dark Horse. A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal busca esclarecer a aplicação de recursos públicos em benefício da produção cinematográfica.
A investigação teve início a partir de uma auditoria da Controladoria Geral da União sobre a aplicação de emendas parlamentares. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas de Frias. A produtora GoUp Entertainment de propriedade de Karina Gama, também foi alvo da operação.
Circuito financeiro fechado e indícios de organização criminosa
A Polícia Federal destaca que há fortes indícios de uma organização criminosa estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas. A investigação aponta para um circuito financeiro fechado entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária.
Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São PauloRio de JaneiroCeará e Distrito Federal. A PF também destaca o envio de R$ 645,4 mil por Frias à GoUp. A investigação indica que os rendimentos mensais do deputado eram de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para sustentar os repasses realizados à empresa de Karina Gama.
Relação entre emendas parlamentares e a produção cinematográfica
A apuração da PF não afirma que recursos das emendas parlamentares tenham financiado diretamente o filme Dark Horse nem que a produção integre a suposta organização criminosa. No entanto, a relação descrita pela investigação envolve a produtora do filme, pessoas e empresas investigadas e as movimentações financeiras analisadas.
A investigação destaca que a circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária não se compatibiliza com relações negociais independentes e economicamente justificadas. Ao contrário, evidencia um circuito financeiro fechado, característico de estruturas destinadas à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação.
O Poder360 procurou o gabinete de Mario Frias e a defesa da GoUp Entertainment para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da operação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.



