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6 outubro 2026

Justiça de Fortaleza revoga prisão de João Munhoz Neto no caso da queda

Após ser detido por supostos crimes de violência psicológica, João Munhoz Neto teve a prisão substituída por monitoramento eletrônico e outras restrições.

Justiça de Fortaleza revoga prisão de João Munhoz Neto no caso da queda

Na noite de 13 de setembro a estudante de direito Isabelle Caracristi de 22 anos, foi encontrada sem vida no pátio de um condomínio de luxo em Fortaleza (CE). O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e a ocorrência rapidamente ganhou destaque nas redes sociais, sobretudo após a mãe da vítima, Isorlanda Caracristi divulgar um vídeo pedindo explicações.

Investigação da Polícia Civil do Ceará

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) indiciou o namorado de Isabelle, João Munhoz Neto 34 anos, pelos crimes de violência psicológica e obstrução de justiça com penas que podem alcançar até 10 anos de reclusão. Segundo o delegado-chefe Márcio Gutiérrez depoimentos apontam para um relacionamento abusivo marcado por controle de ir e vir. Testemunhas relataram que Isabelle “não podia sequer ir sozinha à farmácia, descer do escritório“. O perito-geral da PefoceJúlio Torres declarou que não havia câmeras no rooftop onde a queda ocorreu, mas imagens de outras áreas do prédio corroboram a conclusão de que a morte foi voluntária.

Os fatos antes da queda

Registros de segurança mostram Isabelle chegando ao edifício às 17h58. Seu namorado a esperou na portaria e subiram juntos. Por volta das 18h33, João deixou o prédio usando outra roupa, possivelmente trocando de anel no elevador. Mais tarde, às 19h12, a estudante entrou no elevador rumo ao terraço do 23.º andar – o local da queda – enquanto seu apartamento ficava no 15.º andar. A última mensagem enviada à mãe foi às 19h22, onde a jovem reclamava de um torcicolo. O corpo foi localizado às 20h40. No dia seguinte à morte de Isabelle João retornou ao condomínio às 22h48, quando já havia veículo da perícia no local.

Decisão judicial e medidas cautelares

Na quinta-feira, a 5ª Vara do Júri de Fortaleza revogou a prisão preventiva de João Munhoz Neto, atendendo a manifestação do Ministério Público. A detenção foi substituída por monitoramento eletrônico proibição de sair da comarca e obrigação de manter distanciamento dos familiares da vítima. A decisão não trouxe detalhes sobre os fundamentos que levaram à revogação, mas manteve a acusação por violência psicológica e tentativa de obstruir as investigações.

Andamento das investigações

Até o momento, mais de 25 pessoas foram ouvidas, e o exame cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte, sem indícios de substâncias tóxicas. Dispositivos eletrônicos, incluindo o celular de Isabelle e de Sara Regina mãe de João, foram apreendidos para perícia. A polícia continua analisando imagens de câmeras do condomínio e avaliando depoimentos adicionais para reconstruir a cronologia completa dos eventos que culminaram na queda.

O caso permanece sob sigilo de justiça, mas as autoridades reforçam que a investigação ainda busca esclarecer todas as circunstâncias e responsabilidades envolvidas, especialmente em relação ao suposto controle excessivo exercido por João sobre Isabelle nos últimos dias de vida.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.