O tradicional dicionário norte-americano Merriam-Webster anunciou a incorporação de 1.400 novos verbetes. A seleção reúne gírias que circulam nas redes sociais, termos técnicos da inteligência artificial e até expressões ligadas a receitas que se tornaram virais. O objetivo, segundo a própria editora, é oferecer ao leitor uma “janela para o mundo contemporâneo”, refletindo o vocabulário que se consolida no cotidiano digital.
Vocabulário digital: de “glow up” a “looksmaxxing”
Entre os vocábulos mais comentados está glow up definido como uma mudança drástica e positiva na aparência de alguém ou algo. Ainda no mesmo espectro, looksmaxxing descreve a prática de adotar medidas, às vezes extremas, para aumentar a atratividade física. Ambas as palavras surgiram em fóruns de beleza e rapidamente migraram para o vocabulário geral, justificando sua presença oficial.
Outra palavra que ganhou destaque é parassocial. Originalmente cunhada na década de 1950 para analisar relações entre telespectadores e celebridades, a nova definição enfatiza uma conexão emocional unilateral com uma figura pública ou ficcional que o indivíduo nunca conheceu pessoalmente. O termo tem sido usado para descrever o vínculo de fãs de artistas como Taylor Swift.
Inteligência artificial e programação: o surgimento de “vibe coding” e “AGI”
O avanço da IA trouxe ao dicionário expressões como vibe coding. Segundo a editora, trata-se do ato de usar sistemas de inteligência artificial para gerar código-fonte em uma linguagem de programação. O termo foi popularizado por Andrei Karpathy, cientista da Tesla, que o utilizou em 2025 para descrever uma nova forma de programar que “esquece que o código existe”.
Também está presente a sigla AGI (Artificial General Intelligence), que aponta para a capacidade teórica de sistemas computacionais de igualar ou superar habilidades humanas como raciocínio e aprendizado. A inclusão da sigla reflete o crescente debate sobre o futuro da tecnologia e sua penetração no discurso público.
Do meme à mesa: termos culinários e curiosidades culturais
Nem todo vocábulo tem origem tecnológica. O dicionário agora contém cake pop descrito como um pirulito feito de massa de bolo compactada, coberto com chocolate ou outra cobertura doce e decorado com confeitos. A sobremesa ganhou popularidade em plataformas como TikTok, onde usuários compartilham receitas rápidas e visualmente atrativas.
Outras adições culturais incluem Sunday scaries – a sensação de ansiedade que surge no domingo por saber que a semana de trabalho está próxima – e efeito Mandela que designa o fenômeno de memórias coletivas falsas sobre fatos ou detalhes. Essas palavras demonstram como a internet pode transformar percepções individuais em fenômenos de massa reconhecidos linguisticamente.
A editorial ainda acrescentou Rickroll como verbo, com a definição de enganar alguém para que escute a música “Never Gonna Give You Up” de Rick Astley mostrando que até brincadeiras virtuais recebem validade formal.
Todo o processo de inclusão segue critérios rígidos: as palavras são monitoradas em mídias, redes sociais e publicações acadêmicas; seu uso deve ser recorrente e espalhado geograficamente. Quando uma expressão atende a esses parâmetros, passa por diferentes etapas de revisão antes de ser oficialmente registrada.



