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21 setembro 2026

Novas palavras de meme, IA e comida chegam ao dicionário

Merriam-Webster oficializa gírias, IA e comidas virais em mais de mil novos verbetes.

Novas palavras de meme, IA e comida chegam ao dicionário

O tradicional dicionário norte-americano Merriam-Webster anunciou a incorporação de 1.400 novos verbetes. A seleção reúne gírias que circulam nas redes sociais, termos técnicos da inteligência artificial e até expressões ligadas a receitas que se tornaram virais. O objetivo, segundo a própria editora, é oferecer ao leitor uma “janela para o mundo contemporâneo”, refletindo o vocabulário que se consolida no cotidiano digital.

Vocabulário digital: de “glow up” a “looksmaxxing”

Entre os vocábulos mais comentados está glow up definido como uma mudança drástica e positiva na aparência de alguém ou algo. Ainda no mesmo espectro, looksmaxxing descreve a prática de adotar medidas, às vezes extremas, para aumentar a atratividade física. Ambas as palavras surgiram em fóruns de beleza e rapidamente migraram para o vocabulário geral, justificando sua presença oficial.

Outra palavra que ganhou destaque é parassocial. Originalmente cunhada na década de 1950 para analisar relações entre telespectadores e celebridades, a nova definição enfatiza uma conexão emocional unilateral com uma figura pública ou ficcional que o indivíduo nunca conheceu pessoalmente. O termo tem sido usado para descrever o vínculo de fãs de artistas como Taylor Swift.

Inteligência artificial e programação: o surgimento de “vibe coding” e “AGI”

O avanço da IA trouxe ao dicionário expressões como vibe coding. Segundo a editora, trata-se do ato de usar sistemas de inteligência artificial para gerar código-fonte em uma linguagem de programação. O termo foi popularizado por Andrei Karpathy, cientista da Tesla, que o utilizou em 2025 para descrever uma nova forma de programar que “esquece que o código existe”.

Também está presente a sigla AGI (Artificial General Intelligence), que aponta para a capacidade teórica de sistemas computacionais de igualar ou superar habilidades humanas como raciocínio e aprendizado. A inclusão da sigla reflete o crescente debate sobre o futuro da tecnologia e sua penetração no discurso público.

Do meme à mesa: termos culinários e curiosidades culturais

Nem todo vocábulo tem origem tecnológica. O dicionário agora contém cake pop descrito como um pirulito feito de massa de bolo compactada, coberto com chocolate ou outra cobertura doce e decorado com confeitos. A sobremesa ganhou popularidade em plataformas como TikTok, onde usuários compartilham receitas rápidas e visualmente atrativas.

Outras adições culturais incluem Sunday scariesa sensação de ansiedade que surge no domingo por saber que a semana de trabalho está próxima – e efeito Mandela que designa o fenômeno de memórias coletivas falsas sobre fatos ou detalhes. Essas palavras demonstram como a internet pode transformar percepções individuais em fenômenos de massa reconhecidos linguisticamente.

A editorial ainda acrescentou Rickroll como verbo, com a definição de enganar alguém para que escute a música “Never Gonna Give You Up” de Rick Astley mostrando que até brincadeiras virtuais recebem validade formal.

Todo o processo de inclusão segue critérios rígidos: as palavras são monitoradas em mídias, redes sociais e publicações acadêmicas; seu uso deve ser recorrente e espalhado geograficamente. Quando uma expressão atende a esses parâmetros, passa por diferentes etapas de revisão antes de ser oficialmente registrada.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.