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17 setembro 2026

Operação Lança do Sul: EUA atacam embarcações suspeitas de tráfico de drogas

Os EUA estão intensificando suas operações militares contra cartéis no Caribe e Pacífico, gerando controvérsias sobre eficácia e legalidade

Operação Lança do Sul: EUA atacam embarcações suspeitas de tráfico de drogas

Os Estados Unidos estão intensificando suas operações militares contra cartéis de drogas no Caribe e no Pacífico Oriental. A estratégia, que completou um ano em agosto, tem como objetivo reduzir o tráfico de drogas e o controle territorial dos cartéis. No entanto, a eficácia e a legalidade dessas operações têm sido questionadas por especialistas e organizações internacionais.

Desde o início da campanha, ao menos 227 pessoas foram mortas e 69 embarcações foram destruídas, segundo a organização Airwars. Apesar dos números, a DEA (Agência de Combate às Drogas dos EUA) concluiu que os ataques não tiveram impacto significativo na oferta ou no preço da cocaína nos EUA. Os traficantes têm adaptado suas estratégias, utilizando embarcações maiores, rotas mais próximas da costa e aviões para evitar as forças americanas.

Objetivos e estratégias da operação

O governo dos EUA afirma que o objetivo da operação é eliminar o espaço físico e territorial controlado pelos cartéis. Uma autoridade americana, em conversa sob condição de anonimato, comparou a estratégia à campanha americana contra o Estado Islâmico, destacando a necessidade de retirar território do adversário. O funcionário também mencionou que a cooperação com governos da região serve para ajudá-los a recuperar o controle de seus territórios.

O governo Trump tem destacado os benefícios da operação, citando a redução na atividade marítima ilícita no Caribe Ocidental, no Caribe Oriental e em áreas-chave do Pacífico. No entanto, a metodologia usada para calcular esses números não foi detalhada. Além disso, o governo não estabeleceu um prazo para a operação, afirmando que a aplicação de recursos americanos no Hemisfério Ocidental produz benefícios superiores aos recursos empregados.

Controvérsias e críticas

A operação tem sido alvo de questionamentos sobre sua legalidade e eficácia. Especialistas em direito criticam a justificativa do governo de que os EUA estão em um conflito armado com organizações de narcotráfico. Além disso, a Wola (Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos) relata que algumas das pessoas mortas aparentemente não tinham envolvimento conhecido com o narcotráfico.

O advogado Wells Dixon, do Centro para Direitos Constitucionais, questiona a base jurídica da operação, afirmando que designar um cartel como organização terrorista estrangeira não autoriza, por si só, o presidente a empregar força militar contra seus integrantes. Dixon classifica os ataques como execuções extrajudiciais e rejeita a descrição deles como crimes de guerra.

Adaptações dos traficantes

Autoridades americanas reconhecem que os traficantes estão adaptando suas rotas e meios de transporte para escapar das forças dos EUA. Joseph Humire, alto funcionário do Departamento de Defesa, mencionou que parte do fluxo se deslocou para leste, pela Venezuela e Guiana em direção ao Suriname. O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul, relatou maior movimentação pelo Pacífico, por tráfego aéreo e com o uso de contêineres.

Apesar das adaptações, o governo Trump parece determinado a continuar com a estratégia. A retomada ocorreu em um contexto de ampliação da cooperação regional contra o narcotráfico, com Colômbia e Equador autorizando operações conjuntas com os EUA.

Rafael Oliveira