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17 setembro 2026

Peças de uralina: segurança, curiosidades e regulamentação no Brasil

Peças de uralina, fabricadas com urânio, são objetos de coleção raros e seguros quando mantidos intactos. Descubra sua história e como são regulamentadas no Brasil.

Peças de uralina: segurança, curiosidades e regulamentação no Brasil

Em um antiquário em Londrina, no Norte do Paraná, um conjunto de peças especiais chama a atenção. Trata-se de objetos feitos com uralina um tipo de vidro que contém urânio em sua composição. Apesar de sua radioatividade esses itens são considerados seguros quando armazenados corretamente.

Especialistas explicam que, diferentemente do Césio-137 que causou um grave acidente em Goiânia há quase 40 anos, as peças de uralina não representam um risco significativo de contaminação. No entanto, é importante seguir algumas precauções para garantir a segurança.

Segurança e regulamentação das peças de uralina

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) afirma que as taças de uralina não representam riscos à saúde quando mantidas guardadas e dentro da referência de dose efetiva de 1 mSv por ano. Essa taxa é considerada muito baixa e segura. No entanto, a ANSN orienta que essas peças não devem ser usadas no dia a dia, especialmente para armazenar alimentos, devido à possível interação com o metal radioativo.

A fabricação de novas peças de uralina é proibida no Brasil desde julho de 2026, conforme a Resolução 344 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A norma considera o uso de fontes de radiação para criação de adornos como “fútil” e “injustificável”. Apesar disso, peças antigas continuam sendo comercializadas e colecionadas.

Características e história das peças de uralina

As peças de uralina foram produzidas principalmente entre os anos 1890 e 1920 na Europa. Elas se tornaram populares devido à sua fluorescência e cores variadas, que vão do amarelo ao esverdeado, dependendo do estado de oxidação e da concentração de íons metálicos. O professor de física Augusto Ricci Murakami explica que o urânio presente nessas peças é predominantemente o Urânio-238 um isótopo com uma meia-vida de aproximadamente 4,5 bilhões de anos.

Diferentemente do Césio-137, que tem uma meia-vida de cerca de 30 anos, o Urânio-238 se desintegra muito lentamente. Isso significa que ele libera radiação de forma mais distribuída ao longo do tempo, tornando-o menos perigoso no curto prazo. Além disso, o urânio na uralina está incorporado à estrutura do vidro, o que evita a formação de pó solúvel, como ocorreu no acidente de Goiânia.

Colecionando peças de uralina

A empresária Camilla Trovó Gimenes adquiriu um conjunto de peças de uralina em um leilão em setembro de 2026, sem saber inicialmente sobre a composição do material. Ela conta que a cor verde das peças a encantou, e só depois de comprá-las descobriu que eram feitas com uralina. “Não passou pela minha cabeça, em momento nenhum, que poderia ser uma peça de uralina. Para mim era só uma taça verde muito bonita”, disse Camilla.

O professor de química Fábio Cezar Ferreira da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) explica que os vidros com urânio na composição são seguros para serem mantidos como materiais decorativos. Ele recomenda que sejam armazenados em estruturas como cristaleiras, evitando o uso no dia a dia. “Os vidros com urânio na composição são seguros”, afirmou Ferreira.

Para detectar a presença de urânio nas peças, além da luz negra, pode-se usar um contador Geiger um dispositivo que mede radiações ionizantes. A ANSN orienta que peças de uralina, inteiras ou quebradas, não sejam descartadas no lixo comum. O correto é encaminhá-las a uma unidade autorizada da CNEN para descarte adequado.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa