A chegada dos europeus ao norte da Austrália Diante desse cenário, a arte rupestre emergiu como uma ferramenta crucial de resistência cultural, conforme aponta uma nova pesquisa arqueológica.
Liderado por Paul S.C. Taçon arqueólogo da Griffith University o estudo investigou 165 sítios de arte rupestre na região de Awunbarna no Território do Norte da Austrália. A pesquisa contou com a colaboração de Sally K. MayAndrea Jalandoni e Charlie Mungulda guardião tradicional da região.
Representações monumentais de seres ancestrais
Entre as descobertas, destacam-se 29 representações da Serpente Arco-Íris uma figura central nas tradições aborígenes. Uma dessas representações, encontrada no abrigo conhecido como AW5, impressiona por seus mais de 6 metros de comprimento.
Além da Serpente Arco-Íris, os pesquisadores identificaram outras representações em grandes proporções, incluindo pítons com cerca de 2 metros e uma baleia-jubarte. A escala dessas figuras é um dos aspectos que ajudaram a equipe a investigar como a arte rupestre da região evoluiu ao longo do tempo.
A arte rupestre como ferramenta de preservação cultural
O estudo sugere que o aumento de representações monumentais de seres ancestrais coincide com o período de maior impacto da colonização europeia e da caça comercial de búfalos na região. Essa proliferação de imagens em grande escala pode ter sido uma estratégia para manter e reafirmar as tradições culturais diante das mudanças impostas pela colonização.
Para Paul Taçon a dimensão dessas pinturas expressa a necessidade de uma resposta poderosa diante da agitação cultural provocada pela chegada dos colonos. A Serpente Arco-Íris, considerada um dos seres ancestrais mais poderosos, poderia ser usada para ajudar a dar estabilidade e controle sobre o destino das comunidades aborígenes em tempos de rápidas mudanças.
Awunbarna: um ponto de encontro e resistência
A localização de Awunbarna foi estratégica para a disseminação dessas mensagens visuais. A região servia como um ponto de encontro para comércio e cerimônias entre diferentes grupos linguísticos aborígenes. Além disso, foi uma das primeiras áreas a sofrer o impacto da indústria de caça ao búfalo
Os pesquisadores observaram que as pinturas de seres poderosos, muitas vezes sobrepostas a imagens de navios europeus e armas de fogo, serviam como uma afirmação da vitalidade das tradições locais. Essa prática reforça a ideia de que a arte rupestre foi usada como uma forma de resistência e afirmação cultural.
Embora a datação por radiocarbono seja difícil em muitos casos, os pesquisadores notaram que as serpentes foram pintadas com argila branca, um pigmento que costuma desaparecer em poucos séculos. Isso reforça a conclusão de que as obras foram feitas após a chegada europeia.
Para Paul Taçon essas pinturas fazem parte de um patrimônio global e de uma cultura que permanece viva. A Serpente Arco-Íris de Awunbarna, com seus impressionantes 6 metros de comprimento, é um testemunho da riqueza e da resiliência da cultura aborígene.



