Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Polícia Federal indicia Alessandro Stefanutto e mais cinco por fraudes no INSS

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e mais cinco pessoas por fraudes em descontos de aposentados e pensionistas. As investigações revelam um esquema complexo de descontos indevidos.

Polícia Federal indicia Alessandro Stefanutto e mais cinco por fraudes no INSS

A Polícia Federal (PF) concluiu um novo inquérito sobre fraudes no INSS e indiciou seis pessoas, incluindo o ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto por crimes de inserção de dados falsos em sistemas de informações e organização criminosa. As investigações estão ligadas a possíveis fraudes nos descontos associativos vinculados à Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

O relatório foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os indiciados estão também o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios do órgão, André Paulo Félix Fidelis. Este é o segundo indiciamento da PF contra executivos da Previdência Social pelo esquema de fraudes nos descontos de pensionistas e aposentados.

O esquema de descontos irregulares

As investigações indicam que o esquema consistia em descontar mensalmente valores das aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. Os beneficiários eram cobrados como se tivessem aderido a associações de aposentados, quando, na realidade, não haviam se filiado nem autorizado os descontos. A apuração teve início em 2026 na Controladoria Geral da União (CGU) na esfera administrativa. Em 2026, depois que a CGU identificou indícios de crimes, a PF foi acionada para conduzir a investigação criminal.

Em julho de 2026, a PF indiciou 48 investigados no esquema. Naquele inquérito, o alvo era a Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais). Na primeira fase, Stefanutto, Oliveira Filho e Fidelis foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes conhecido como “Careca do INSS”, também foi indiciado por lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva. Os quatro estão presos preventivamente desde novembro de 2026.

Nova fase da Operação Sem Desconto

A Polícia Federal cumpriu, em julho, uma nova etapa da Operação Sem Desconto que apura um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. Entre os investigados estão a esposa e dois irmãos do senador Weverton Rocha além do advogado Willer Tomaz. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão por determinação do ministro André Mendonça do STF, relator das investigações.

Nesta fase, a PF concentra as apurações em suspeitas de lavagem de dinheiro. De acordo com a corporação, há indícios de que recursos ligados ao esquema tenham sido movimentados por meio de empresas, contas de terceiros e operações em dinheiro vivo, com o objetivo de ocultar a origem e o destino dos valores. Os policiais buscam apreender documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a destinação dos recursos e o papel desempenhado por cada investigado.

Defesas dos investigados

A defesa de Alessandro Stefanutto afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito e disse que apresentará manifestação depois de analisar os fundamentos do indiciamento. A defesa acrescentou que o ex-presidente do INSS “jamais praticou qualquer ato ilícito no exercício de suas funções públicas” e que “mantém plena convicção de que a análise integral dos autos demonstrará a inexistência de conduta criminosa que lhe possa ser atribuída”.

O advogado e empresário Willer Tomaz negou envolvimento com os fatos investigados e afirmou que todas as operações citadas ocorreram de forma regular. Ele esclareceu que a disponibilização da aeronave ao senador Weverton Rocha ocorreu em caráter estritamente pessoal e amistoso, sem qualquer vínculo com os fatos investigados pela operação.

As conclusões do inquérito serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República (PGR) que é quem cabe apresentar a denúncia, pedir o arquivamento do caso ou solicitar novas diligências. A existência dos mandados não representa condenação, e a eventual responsabilização dos investigados dependerá do resultado das diligências e da análise do material recolhido.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.