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17 setembro 2026

PT adia ataque a Flávio Bolsonaro sobre tarifas dos EUA e foca em Daniel Vorcaro

O PT optou por postergar a utilização do apelido 'TariFlávio' e concentrar seus esforços na relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

PT adia ataque a Flávio Bolsonaro sobre tarifas dos EUA e foca em Daniel Vorcaro

Na reta final da campanha eleitoral de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está ajustando sua estratégia para enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL). O partido decidiu adiar o uso do apelido ‘TariFlávio’ criado para associar o senador às tarifas impostas pelos Estados Unidos, em favor de explorar a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Esta mudança de foco não será vista na estreia de Lula no horário eleitoral, marcada para este sábado (29.ago.2026). O petista, que possui o maior tempo de propaganda entre os candidatos, preferirá destacar as realizações de seu governo e atacar o adversário com o episódio do ‘DarkHorse’ considerado mais impactante no momento.

O contexto do ‘TariFlávio’ e a soberania nacional

O apelido ‘TariFlávio’ foi criado pelo PT durante o aumento das tarifas norte-americanas em 2026 e passou a ser utilizado nas redes sociais para desgastar a imagem do senador. O partido preparou respostas diferentes conforme o desfecho das negociações sobre as tarifas, com a defesa da soberania nacional como um dos principais temas da disputa eleitoral.

Esta estratégia resgata o histórico do episódio. Em 2026, Eduardo Bolsonaro apoiou o primeiro aumento de tarifas anunciado por Donald Trump, defendendo que a pressão econômica poderia favorecer a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na época, a posição foi criticada até por aliados da direita, incluindo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o próprio Flávio Bolsonaro.

Sob o comando de Sidônio Palmeira, ministro da Secom, o Planalto passou a utilizar a palavra soberania como um dos pilares da comunicação do governo a partir do segundo semestre de 2026. Esta estratégia contribuiu para melhorar a percepção sobre a gestão de Lula, cuja aprovação chegou a 51%, superando pela primeira vez o percentual de desaprovação.

A viagem de Flávio aos Estados Unidos e a audiência pública

A campanha petista também irá explorar a mais recente viagem de Flávio aos Estados Unidos. O senador participou de uma audiência pública promovida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), na qual pediu que Washington adiasse a aplicação da tarifa de 25% para depois das eleições brasileiras e defendeu uma negociação com um eventual governo dele.

Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro, comandando a ala mais radical da campanha diretamente dos EUA, utilizou um factoide criado pela revista Veja para encobrir a mentira do irmão, Flávio Bolsonaro, que há exatos 100 dias afirma que iria apresentar o contrato e prestar contas sobre o filme Dark Horse cinebiografia de Jair Bolsonaro.

O papel da Veja e a perícia contratada

Nas redes sociais, Eduardo divulgou um print da chamada da ‘reportagem’ da Veja com o título: ‘Dark Horse: sem dinheiro público e com o Havengate como o maior investidor, diz perícia’. No entanto, o documento, vazado pela polícia de São Paulo, é um laudo pericial de defesa, contratado pela GoUp Entertainment Ltda, de Karina Gama, que é investigada tanto pela Polícia Federal quanto pela polícia paulista.

A perícia, assinada por Anísio Costa Castelo Branco, ressalta que analisou apenas os documentos enviados pela GoUp e não a totalidade dos dados obtidos na investigação. O laudo também não anexa nenhum dos documentos enviados por Karina Gama. Apesar disso, a Veja buscou embasar a mentira propagada pelo senador, afirmando que a perícia teria concluído que Dark Horse foi produzido ‘sem dinheiro público e com o Havengate como o maior investidor’.

O próprio laudo desmente a reportagem da Veja, que tem atuado em dobradinha com o filho ’01’ de Jair Bolsonaro, que diz que ‘o filme foi integralmente bancado por investimentos privados’. A perícia ressalta nas conclusões do documento de 32 páginas que o trabalho foi feito ‘com base nos documentos, extratos bancários, contratos, planilhas financeiras, demonstrativos das despesas e demais elementos disponibilizados à perícia’ pela empresa de Karina Gama.

Um detalhe importante: nenhum dos documentos que teriam sido analisados e que são citados pela perícia constam nos anexos do documento. Ou seja, não há quaisquer provas documentais sobre o que é dito no laudo.

Com base na documentação enviada por Karina Gama, a perícia conclui que ‘somados os custos das operações no Brasil e nos Estados Unidos, o custo total de produção alcançou US$ 13.393.081,29, equivalente a aproximadamente R$ 75.182.282,80’. O fundo Havengate destinou um aporte de 13,3 milhões de dólares ao filme, montante maior do que os 10 milhões de dólares que teriam sido efetivamente enviados por Daniel Vorcaro.

O documento, que foi vazado integralmente para embasar a narrativa de ‘prestação de contas’ de Flávio Bolsonaro, consta entre os dados da investigação da polícia paulista que, por ordem do ministro Flávio Dino, deverão ser compartilhadas com a Polícia Federal, que também conduz uma investigação sobre o real destino dos milhões de dólares de Daniel Vorcaro ao clã Bolsonaro.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.