Na reta final da campanha eleitoral de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está ajustando sua estratégia para enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL). O partido decidiu adiar o uso do apelido ‘TariFlávio’ criado para associar o senador às tarifas impostas pelos Estados Unidos, em favor de explorar a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Esta mudança de foco não será vista na estreia de Lula no horário eleitoral, marcada para este sábado (29.ago.2026). O petista, que possui o maior tempo de propaganda entre os candidatos, preferirá destacar as realizações de seu governo e atacar o adversário com o episódio do ‘DarkHorse’ considerado mais impactante no momento.
O contexto do ‘TariFlávio’ e a soberania nacional
O apelido ‘TariFlávio’ foi criado pelo PT durante o aumento das tarifas norte-americanas em 2026 e passou a ser utilizado nas redes sociais para desgastar a imagem do senador. O partido preparou respostas diferentes conforme o desfecho das negociações sobre as tarifas, com a defesa da soberania nacional como um dos principais temas da disputa eleitoral.
Esta estratégia resgata o histórico do episódio. Em 2026, Eduardo Bolsonaro apoiou o primeiro aumento de tarifas anunciado por Donald Trump, defendendo que a pressão econômica poderia favorecer a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na época, a posição foi criticada até por aliados da direita, incluindo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o próprio Flávio Bolsonaro.
Sob o comando de Sidônio Palmeira, ministro da Secom, o Planalto passou a utilizar a palavra soberania como um dos pilares da comunicação do governo a partir do segundo semestre de 2026. Esta estratégia contribuiu para melhorar a percepção sobre a gestão de Lula, cuja aprovação chegou a 51%, superando pela primeira vez o percentual de desaprovação.
A viagem de Flávio aos Estados Unidos e a audiência pública
A campanha petista também irá explorar a mais recente viagem de Flávio aos Estados Unidos. O senador participou de uma audiência pública promovida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), na qual pediu que Washington adiasse a aplicação da tarifa de 25% para depois das eleições brasileiras e defendeu uma negociação com um eventual governo dele.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro, comandando a ala mais radical da campanha diretamente dos EUA, utilizou um factoide criado pela revista Veja para encobrir a mentira do irmão, Flávio Bolsonaro, que há exatos 100 dias afirma que iria apresentar o contrato e prestar contas sobre o filme Dark Horse cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O papel da Veja e a perícia contratada
Nas redes sociais, Eduardo divulgou um print da chamada da ‘reportagem’ da Veja com o título: ‘Dark Horse: sem dinheiro público e com o Havengate como o maior investidor, diz perícia’. No entanto, o documento, vazado pela polícia de São Paulo, é um laudo pericial de defesa, contratado pela GoUp Entertainment Ltda, de Karina Gama, que é investigada tanto pela Polícia Federal quanto pela polícia paulista.
A perícia, assinada por Anísio Costa Castelo Branco, ressalta que analisou apenas os documentos enviados pela GoUp e não a totalidade dos dados obtidos na investigação. O laudo também não anexa nenhum dos documentos enviados por Karina Gama. Apesar disso, a Veja buscou embasar a mentira propagada pelo senador, afirmando que a perícia teria concluído que Dark Horse foi produzido ‘sem dinheiro público e com o Havengate como o maior investidor’.
O próprio laudo desmente a reportagem da Veja, que tem atuado em dobradinha com o filho ’01’ de Jair Bolsonaro, que diz que ‘o filme foi integralmente bancado por investimentos privados’. A perícia ressalta nas conclusões do documento de 32 páginas que o trabalho foi feito ‘com base nos documentos, extratos bancários, contratos, planilhas financeiras, demonstrativos das despesas e demais elementos disponibilizados à perícia’ pela empresa de Karina Gama.
Um detalhe importante: nenhum dos documentos que teriam sido analisados e que são citados pela perícia constam nos anexos do documento. Ou seja, não há quaisquer provas documentais sobre o que é dito no laudo.
Com base na documentação enviada por Karina Gama, a perícia conclui que ‘somados os custos das operações no Brasil e nos Estados Unidos, o custo total de produção alcançou US$ 13.393.081,29, equivalente a aproximadamente R$ 75.182.282,80’. O fundo Havengate destinou um aporte de 13,3 milhões de dólares ao filme, montante maior do que os 10 milhões de dólares que teriam sido efetivamente enviados por Daniel Vorcaro.
O documento, que foi vazado integralmente para embasar a narrativa de ‘prestação de contas’ de Flávio Bolsonaro, consta entre os dados da investigação da polícia paulista que, por ordem do ministro Flávio Dino, deverão ser compartilhadas com a Polícia Federal, que também conduz uma investigação sobre o real destino dos milhões de dólares de Daniel Vorcaro ao clã Bolsonaro.



