Uma feira de ciências no Colégio Tamandaré no Recreio dos Bandeirantes virou um alerta de saúde após o compartilhamento de lancetas em testes de glicose. O incidente, ocorrido no sábado (12) expôs pelo menos 23 pessoas a riscos de infecções virais, como HIVhepatite B e hepatite C.
O caso chamou a atenção não apenas pela gravidade dos riscos envolvidos, mas também pela forma como ocorreu. Uma estudante, com idade entre 12 e 13 anos, usou a mesma lanceta em até três pessoas durante os testes. A atividade, que não era autorizada, foi interrompida assim que a equipe da escola percebeu o uso inadequado do material.
Quais são os riscos do compartilhamento de agulhas?
A infectologista Janaína Teixeira professora da Afya Educação Médica de São Paulo explica que o principal risco do compartilhamento de agulhas é a transmissão de infecções virais. Uma pessoa contaminada por um vírus, se compartilhar a agulha que utilizou com outra pessoa, pode transmitir esse vírus afirma.
As infecções virais podem evoluir ao longo do tempo, inclusive de forma assintomática, e levar a quadros graves. O HIV por exemplo, pode levar o paciente a óbito se não for tratado adequadamente. Além do HIV, as hepatites B e C também são preocupações significativas.
Segundo a especialista, após a exposição, é essencial procurar atendimento médico o mais rápido possível, preferencialmente dentro de um prazo de 72 horas. Durante o atendimento, medidas como a profilaxia pós-exposição para o HIV e a vacinação contra a hepatite B podem ser adotadas para reduzir os riscos de infecção.
No caso da hepatite C o acompanhamento médico pode ser necessário por até seis meses após a exposição. A imunoglobulina um anticorpo pronto contra a hepatite B, também pode ser fornecida para aumentar a proteção.
Medidas tomadas pelo Colégio Tamandaré
O Colégio Tamandaré orientou os responsáveis pelos alunos que tiveram o dedo perfurado a procurar atendimento médico imediatamente. Na última terça-feira (14) uma equipe de saúde esteve na unidade para orientar estudantes e responsáveis. A escola também contratou uma infectologista pediátrica para acompanhar os casos.
Até o momento, segundo a direção, os testes informados à escola apresentaram resultado negativo. No entanto, a instituição reforça a importância de seguir as orientações médicas, independentemente dos resultados.
O Hospital Municipal Lourenço Jorge na Barra da Tijuca confirmou 20 atendimentos relacionados ao incidente. A escola informou que outras três pessoas foram atendidas na rede particular. O hospital garantiu que todas as pessoas que buscaram atendimento receberam a profilaxia indicada dentro do prazo preconizado.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil que busca esclarecer as circunstâncias do compartilhamento das agulhas. Enquanto isso, a comunidade escolar permanece em alerta, com apoio psicológico disponível para os alunos e familiares afetados.



