Ir para o conteúdo
17 setembro 2026

Riscos de infecções virais após compartilhamento de lancetas em escola do Recreio

Uma feira de ciências no Colégio Tamandaré virou um alerta de saúde após o compartilhamento de agulhas em testes de glicose. Descubra os riscos e as medidas tomadas.

Riscos de infecções virais após compartilhamento de lancetas em escola do Recreio

Uma feira de ciências no Colégio Tamandaré no Recreio dos Bandeirantes virou um alerta de saúde após o compartilhamento de lancetas em testes de glicose. O incidente, ocorrido no sábado (12) expôs pelo menos 23 pessoas a riscos de infecções virais, como HIVhepatite B e hepatite C.

O caso chamou a atenção não apenas pela gravidade dos riscos envolvidos, mas também pela forma como ocorreu. Uma estudante, com idade entre 12 e 13 anos, usou a mesma lanceta em até três pessoas durante os testes. A atividade, que não era autorizada, foi interrompida assim que a equipe da escola percebeu o uso inadequado do material.

Quais são os riscos do compartilhamento de agulhas?

A infectologista Janaína Teixeira professora da Afya Educação Médica de São Paulo explica que o principal risco do compartilhamento de agulhas é a transmissão de infecções virais. Uma pessoa contaminada por um vírus, se compartilhar a agulha que utilizou com outra pessoa, pode transmitir esse vírus afirma.

As infecções virais podem evoluir ao longo do tempo, inclusive de forma assintomática, e levar a quadros graves. O HIV por exemplo, pode levar o paciente a óbito se não for tratado adequadamente. Além do HIV, as hepatites B e C também são preocupações significativas.

Segundo a especialista, após a exposição, é essencial procurar atendimento médico o mais rápido possível, preferencialmente dentro de um prazo de 72 horas. Durante o atendimento, medidas como a profilaxia pós-exposição para o HIV e a vacinação contra a hepatite B podem ser adotadas para reduzir os riscos de infecção.

No caso da hepatite C o acompanhamento médico pode ser necessário por até seis meses após a exposição. A imunoglobulina um anticorpo pronto contra a hepatite B, também pode ser fornecida para aumentar a proteção.

Medidas tomadas pelo Colégio Tamandaré

O Colégio Tamandaré orientou os responsáveis pelos alunos que tiveram o dedo perfurado a procurar atendimento médico imediatamente. Na última terça-feira (14) uma equipe de saúde esteve na unidade para orientar estudantes e responsáveis. A escola também contratou uma infectologista pediátrica para acompanhar os casos.

Até o momento, segundo a direção, os testes informados à escola apresentaram resultado negativo. No entanto, a instituição reforça a importância de seguir as orientações médicas, independentemente dos resultados.

O Hospital Municipal Lourenço Jorge na Barra da Tijuca confirmou 20 atendimentos relacionados ao incidente. A escola informou que outras três pessoas foram atendidas na rede particular. O hospital garantiu que todas as pessoas que buscaram atendimento receberam a profilaxia indicada dentro do prazo preconizado.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil que busca esclarecer as circunstâncias do compartilhamento das agulhas. Enquanto isso, a comunidade escolar permanece em alerta, com apoio psicológico disponível para os alunos e familiares afetados.

Rafael Oliveira