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17 setembro 2026

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman: a nova janela para o cosmos

O telescópio Nancy Grace Roman da Nasa está prestes a ser lançado, prometendo revelar segredos do universo. Descubra como o Brasil está contribuindo para esta missão.

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman: a nova janela para o cosmos

A Nasa está prestes a dar um grande passo na exploração do cosmos com o lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman marcado para este domingo (30), às 8h26 (horário de Brasília). Este observatório de nova geração promete revolucionar nossa compreensão do universo, com um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o do icônico Hubble.

Durante sua missão primária, que deve durar cinco anos, o telescópio observará mais de um bilhão de galáxias e ajudará cientistas a investigar fenômenos como a energia escuraexoplanetas e supernovas. O Brasil terá um papel crucial nesta missão, contribuindo com tecnologia avançada para o processamento dos dados coletados.

O papel do Brasil na missão Roman

O Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) desenvolveu o Arandu um sistema de alertas astronômicos que será essencial para processar, filtrar e classificar os eventos identificados pelo telescópio. O nome Arandu significa “sabedoria” em tupi-guarani, refletindo a importância da inteligência artificial na análise dos dados.

O Arandu será utilizado para ajudar pesquisadores a encontrar os fenômenos mais relevantes em meio ao vasto fluxo de informações produzido pelo observatório. Este sistema é especializado na análise de fenômenos que mudam com o tempo, conhecidos como eventos transitórios ou variáveis, como explosões estelares e mudanças no brilho de estrelas.

Como o Arandu vai ajudar os pesquisadores

Os brokers de alertas astronômicos, como o Arandu, são sistemas computacionais que recebem notificações geradas a partir das observações dos telescópios. Eles cruzam essas informações com catálogos e registros anteriores, classificam os eventos e entregam aos astrônomos dados relacionados aos objetos que eles desejam estudar.

“O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas”, afirma Clécio Roque De Bom cientista e coordenador científico do CBPF e do LAB-IA.

Segundo ele, a participação brasileira coloca o país em uma etapa importante da astronomia contemporânea. “Essa solução desenvolvida e operada localmente insere a ciência brasileira em etapa decisiva da astronomia contemporânea: a transformação de grandes volumes de dados em conhecimento científico”, acrescenta.

As capacidades do telescópio Roman

O telescópio Roman terá um espelho principal de 2,4 metros de diâmetro o mesmo tamanho do espelho do Hubble. Suas imagens terão sensibilidade e resolução comparáveis às do telescópio espacial lançado em 1990. A principal diferença estará na área do céu observada de uma só vez, que será pelo menos 100 vezes maior.

Durante os cinco anos previstos para sua missão primária, o telescópio poderá medir a luz de mais de um bilhão de galáxias. Um de seus principais levantamentos deverá cobrir mais de 5 mil graus quadrados aproximadamente 12% de todo o céu. O estudo combinará imagens e espectroscopia para investigar como o universo se formou e evoluiu.

O telescópio também realizará observações repetidas de regiões próximas ao centro da Via Láctea, permitindo detectar mudanças no céu em intervalos curtos e produzir um levantamento estatístico dos sistemas planetários da nossa galáxia. A expectativa da Nasa é que a missão revele mais de 100 mil mundos incluindo exoplanetas e corpos que vagam pelo espaço sem orbitar uma estrela.

Além disso, o Roman observará fenômenos muito mais distantes da Via Láctea, identificando milhares de supernovas do tipo Ia. Essas explosões estelares podem ser utilizadas como referências para medir distâncias cósmicas, permitindo aos pesquisadores estudar como a expansão do universo mudou ao longo do tempo e investigar melhor a natureza da energia escura.

“O diferencial do Roman não está apenas na quantidade de objetos que poderá observar, mas na possibilidade de acompanhar um universo em transformação”, explica De Bom. “Sistemas, como o Arandu, serão fundamentais para reconhecer essas mudanças no meio de um fluxo contínuo de dados e permitir que a comunidade científica reaja a elas”, acrescenta.

O lançamento do telescópio será feito por um foguete Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy na Flórida (EUA). A Nasa prevê a decolagem para não antes das 8h26 deste domingo (30), no horário de Brasília. Depois do lançamento, o observatório seguirá para uma região localizada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra nas proximidades do ponto de Lagrange L2, também utilizado pelo Telescópio Espacial James Webb.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.