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17 setembro 2026

Tokenização no setor bancário brasileiro: avanços e obstáculos em 2026

Em 2026, os bancos brasileiros estão lentamente adotando a tokenização, enfrentando desafios como interoperabilidade e sistemas legados, mas também vendo oportunidades com o Drex e a IA.

Tokenização no setor bancário brasileiro: avanços e obstáculos em 2026

Em 2026, a tokenização se tornou um tema central para os bancos brasileiros, mas a implementação ainda está em estágio inicial. Um estudo da IBM revela que, embora 23% dos executivos do setor considerem a tecnologia essencial para seus planos estratégicos, apenas 8% têm iniciativas prontas para lançamento. Esse cenário contrasta com o avanço global de stablecoinsmoedas digitais e inteligência artificial que prometem revolucionar o setor financeiro.

O estudo 2026 Global Outlook for Banking and Financial Markets realizado pelo IBM Institute for Business Value em parceria com a Oxford Economics, ouviu 500 executivos de mais de 25 países, incluindo 26 do Brasil. A pesquisa destaca que a tokenização, que consiste na representação digital de ativos em redes blockchain, deve ganhar força nos próximos anos, impulsionada por stablecoins, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e IA agêntica.

Interoperabilidade: o principal desafio

O maior obstáculo para a adoção da tokenização no Brasil é a interoperabilidade. Segundo o estudo, 65% dos executivos brasileiros apontam esse problema, um percentual superior à média global de 59%. Rodrigo Benin, diretor executivo para a indústria financeira da IBM, explica que a complexidade de integrar sistemas bancários legados com tecnologias de registros distribuídos (DLTs) é um dos principais gargalos.

Não acho que o gargalo seja falta de interesse do mercado, mas sim a complexidade natural de plugar uma infraestrutura on-chain em sistemas que operam há décadas de forma centralizada afirma Benin. Além disso, as exigências de privacidade e a falta de padrões universais para comunicação entre diferentes redes de tokenização também representam desafios significativos.

Avanço das stablecoins e o papel do Drex

Os executivos brasileiros estão mais atentos ao avanço das stablecoins do que seus pares globais. Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados no Brasil esperam uma adoção forte ou transformacional dessas moedas digitais por grandes empresas até 2030, contra 42% no mundo. Benin destaca que as stablecoins podem tornar operações internacionais mais rápidas e baratas, contornando parte do modelo tradicional de câmbio.

O estudo também revela que 38% dos executivos brasileiros acreditam que as CBDCs poderão substituir os arranjos tradicionais de cartões, ante 35% na média global. O Drex, a moeda digital do Banco Central do Brasil, é visto como um acelerador nesse processo. Vejo o Drex fundamentalmente como um acelerador. O Brasil está criando um trilho público, regulado e interoperável, o que traz segurança jurídica para a liquidação de ativos tokenizados afirma Benin.

IA e tokenização: uma parceria estratégica

A pesquisa indica uma forte associação entre inteligência artificial e tokenização. Entre os executivos brasileiros, 58% acreditam que a tokenização terá impacto relevante na interoperabilidade entre diferentes plataformas de IA. Outros 46% esperam efeitos significativos da IA agêntica sobre canais programáveis de liquidação financeira.

Benin imagina um futuro próximo onde agentes de IA monitoram liquidez, movimentam garantias tokenizadas e executam operações financeiras de forma autônoma. É possível imaginar agentes acompanhando a tesouraria de um banco em tempo real, identificando déficits de margem ou oportunidades de rendimento e movimentando ativos tokenizados automaticamente afirma. Ele ressalta que essas arquiteturas técnicas já existem e estão evoluindo rapidamente.

Quem ganha e quem perde na economia tokenizada

A tokenização promete reduzir custos e acelerar liquidações, mas também ameaça algumas fontes de receita tradicionais do setor financeiro. Executivos apontam riscos como a canibalização de receitas, compressão de margens e a migração de depósitos para stablecoins. Benin destaca que áreas como câmbio e pagamentos internacionais tendem a sofrer maior pressão, uma vez que a tokenização reduz etapas intermediárias e automatiza processos.

Por outro lado, a IBM avalia que a receita não desaparece, mas muda de lugar. A custódia digital surge como uma das principais oportunidades, com 61% dos executivos globais planejando investir em soluções de custódia. Benin acredita que a receita migra para áreas como custódia de tokens, gestão de ativos digitais e orquestração de ecossistemas. Aqueles que liderarem essa agenda podem criar novos modelos de negócio ligados à custódia de tokens, à gestão de ativos digitais e à orquestração dessas redes conclui.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.