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17 setembro 2026

Tratamentos para calvície: a próxima mina de ouro da Wall Street

A calvície afeta milhões de pessoas nos Estados Unidos, e novas terapias estão em desenvolvimento. Saiba como a Veradermics, Absci e Cosmo estão revolucionando o mercado e atraindo investidores.

Tratamentos para calvície: a próxima mina de ouro da Wall Street

A calvície é um problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e a indústria farmacêutica está de olho nessa oportunidade. Após o sucesso dos medicamentos para obesidade, investidores estão agora voltando sua atenção para tratamentos inovadores contra a queda de cabelo.

Nos Estados Unidos, cerca de 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres sofrem com a calvície de padrão hereditário. Desde o final dos anos 1990, não há novos medicamentos aprovados para esse problema. A promessa de tratamentos eficazes tem feito as ações de empresas como Veradermics Inc., Absci Corp. e Cosmo NV dispararem.

O mercado em expansão dos tratamentos capilares

A Veradermics Inc., negociada sob o código MANE viu suas ações subirem quase 500% desde sua abertura de capital em fevereiro. Já a Absci Corp. teve um aumento de mais de 100% em 2026. A Cosmo NV, com sede em Zurique, também apresentou resultados positivos com um tratamento experimental contra a queda de cabelo masculina.

Atualmente, as opções disponíveis para quem sofre com a calvície são limitadas: o minoxidil tópico, vendido sem receita, e a finasterida de prescrição médica. Ambos podem causar efeitos colaterais indesejados, como palpitações cardíacas e redução da libido. A expectativa é que os novos tratamentos ofereçam alternativas mais seguras e eficazes.

Inovações e perspectivas futuras

A Cosmo NV está desenvolvendo um medicamento tópico chamado clascoterona que atua bloqueando um hormônio diretamente no folículo capilar, responsável pela queda de cabelo. A empresa planeja apresentar um pedido de aprovação às autoridades reguladoras dos EUA no primeiro trimestre de 2027.

A Veradermics anunciou resultados positivos para seu principal candidato, uma versão em comprimido do minoxidil, para o tratamento da calvície masculina. Em julho, a empresa também divulgou dados promissores de uma fase intermediária dos testes em mulheres com cabelos ralos. Se aprovado pela FDA o medicamento poderá se tornar o primeiro comprimido aprovado para tratar a calvície feminina.

A Absci está desenvolvendo o ABS-201 uma injeção projetada com inteligência artificial para tratar a queda de cabelo de padrão hereditário. A empresa espera divulgar dados preliminares no segundo semestre deste ano.

O potencial de mercado e os riscos envolvidos

Analistas estimam que as vendas globais do tratamento da Cosmo contra a queda de cabelo masculina possam chegar a US$ 3 bilhões, desde que a empresa encontre um parceiro comercial competente. A expectativa é que as ações da Cosmo praticamente dobrem nos próximos 12 meses.

Apesar do otimismo, o desenvolvimento de medicamentos envolve alto risco. Antes do sucesso dos medicamentos para obesidade à base de GLP-1 várias empresas faliram devido ao fracasso de seus produtos. Além disso, a calvície não é considerada uma crise de saúde, o que pode limitar a cobertura por planos de saúde.

No entanto, muitos no setor acreditam que os novos tratamentos podem atrair um grande número de consumidores dispostos a pagar do próprio bolso por soluções eficazes. “Se você conseguir tornar o tratamento mais fácil para o paciente — sem dor e simples, como tomar um comprimido — acho que isso abre uma nova avenida de potenciais pacientes que podem ser tratados”, disse Ryan Isherwood, proprietário de clínicas de saúde masculina em Wisconsin.

Com o potencial de mercado e a inovação tecnológica, as empresas estão apostando alto no desenvolvimento de tratamentos para calvície. A expectativa é que, assim como os medicamentos para obesidade, os novos tratamentos capilares possam se tornar um grande sucesso no mercado farmacêutico.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.