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23 setembro 2026

Vizinhos ouvem gritos e polícia descarta tiro acidental

Menino de 10 anos é baleado na cabeça; vizinhos ouvem gritos e polícia descarta tiro acidental

Vizinhos ouvem gritos e polícia descarta tiro acidental

Na segunda-feira (14) a zona rural de Palmeiras de Goiás foi palco de um episódio que gerou intensa comoção. Um menino de 10 anos recebeu três disparos de arma de pressão na cabeça. A família, ainda em estado de choque, conduziu a criança ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) em Goiânia, onde o pequeno foi internado em estado gravíssimo na unidade de terapia intensiva.

Depoimentos que contradizem a versão da mãe

Segundo o delegado da Polícia Civil André Veloso, as declarações colhidas de vizinhos foram decisivas para afastar a tese de que o garoto teria disparado contra si mesmo. As testemunhas afirmaram ter ouvido, durante o momento crítico, uma série de gritos desesperados: “Ai, ai, ai, ai, para, para, para, mãe, mãe, mãe, para, para”. Esse relato levantou sérias dúvidas sobre a história apresentada pela mãe, a qual alegava que o menino teria atirado acidentalmente em sua própria testa.

Características da arma e impossibilidade técnica

O delegado explicou ainda que a espingarda de cano longo utilizada exige recarga manual a cada disparo, processo que demanda força e tempo consideráveis. Para uma criança de 10 anos, com braço curto e capacidade física limitada, seria praticamente impossível disparar três vezes seguidas, ainda mais atingindo a região frontal da cabeça. “É difícil acreditar que ele tenha conseguido uma única vez atirar, porque a arma é pesada… Agora, três vezes é impossível”, destacou Veloso.

Histórico de agressões e suspeita de homicídio

Investigações preliminares revelaram que o menor já havia sido vítima de maus-tratos frequentes, principalmente por meio de cintadas que deixavam marcas nos braços, tronco e pernas. Vizinhos relataram que a criança vivia sob um clima de violência constante, o que reforça a hipótese de tentativa de homicídio qualificado. O delegado ressaltou que, no instante dos disparos, a família tentou socorrer o filho, mas a condução ao hospital acabou em capotamento, ferindo também o padrasto, embora sem gravidade.

Prisões e desdobramentos judiciais

Na segunda-feira (21) a Polícia Civil efetuou a prisão da mãe, do padrasto e do fazendeiro que morava com a família. O delegado André Veloso apontou que o fazendeiro se considerava “pai afetivo” do padrasto e, ao chegar ao local, impediu a abordagem da mãe, alegando que ela estaria abalada. Essas atitudes contribuíram para que o Poder Judiciário autorizasse a custódia preventiva dos três suspeitos, sob a imputação de tentativa de homicídio e maus-tratos.

O padrasto alegou estar em visita a uma fazenda vizinha no momento da ocorrência, mas as investigações comprovaram que ele retornou quase simultaneamente ao disparo, sugerindo tentativa de criar um álibi. O delegado enfatizou que a fase de prisão temporária terá 30 dias para esclarecer quem efetuou os disparos e quais personagens estavam envolvidos no encobrimento.

Estado de saúde da vítima

Exames de raio-X realizados no Hugol identificaram três projéteis cravados no crânio: dois na região frontal e um na lateral, que atravessou o cérebro, gerando lesão mais grave. O menino permanece em condição gravíssima com hematomas, traumatismo frontal e insuficiência respiratória severa. A família ainda não fornece informações sobre a evolução clínica, mas a equipe médica mantém o suporte intensivo.

O caso segue em investigação profunda, e as autoridades reforçam que a versão de acidente foi descartada por inconsistências técnicas e pelos relatos das testemunhas. Enquanto isso, a comunidade local acompanha o desenrolar do processo, exigindo respostas e justiça para a criança.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.