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1 novembro 2026

Apple atinge marca de US$ 5 trilhões com Tim Cook no passado

Apple bate recorde histórico de mercado e inicia nova fase sob a liderança de John Ternus, enfrentando desafios de IA e preços de chips.

Apple atinge marca de US$ 5 trilhões com Tim Cook no passado

A Apple encerrou a sessão de negociação de quarta-feira, 14 com capitalização de mercado de US$ 5,005 trilhões, equivalente a aproximadamente R$ 25,2 trilhões. Esse resultado a coloca como a segunda companhia a fechar o dia acima da icônica marca de US$ 5 trilhões, um feito alcançado anteriormente apenas pela Nvidia. O fechamento foi impulsionado por valores recordes das ações do iPhone, que elevaram a avaliação da empresa a um patamar nunca antes registrado ao final de um pregão.

Embora a empresa já tivesse ultrapassado a barreira dos US$ 5 trilhões em seis sessões anteriores, nenhuma delas terminou o dia acima desse limite. O novo recorde reflete não só a confiança dos investidores na estratégia de serviços e hardware da Apple, mas também a expectativa de que a companhia consiga consolidar sua posição na crescente corrida pela inteligência artificial.

Legado de Tim Cook e a transição para John Ternus

Tim Cook deixa o cargo executivo após quinze anos à frente da Apple, encerrando sua gestão em 31 de agosto. Durante esse período, o valor de mercado da empresa multiplicou-se por 13 e as vendas anuais de iPhones quase quadruplicaram. Cook também ampliou o segmento de serviços, que passou de US$ 10 bilhões para mais de US$ 100 bilhões, e introduziu linhas como Apple Watch e AirPods, que hoje geram mais de US$ 30 bilhões por ano. Além disso, a companhia devolveu mais de US$ 1 trilhão aos acionistas por meio de recompra de ações e dividendos.

Com a saída de Cook, John Ternus – engenheiro que ingressou na Apple em 2001 e liderou áreas como iPhone, iPad, Mac e AirPods – assumiu a presidência executiva. Em entrevista ao The Independent, Cook ressaltou que confiava plenamente em Ternus e o aconselhou a “não tentar ser uma cópia minha”, destacando a necessidade de que o novo líder desenvolva sua própria identidade. Ternus herda, assim, um legado de disciplina financeira e uma cultura de hardware sólido, mas também o desafio de inovar em IA.

Desafios de IA, preços de chips e concorrência

O caminho à frente não está isento de obstáculos. A escassez de componentes usados em centros de dados de IA elevou os custos de chips de memória e armazenamento presentes nos iPhones, Macs e iPads. Em resposta, a Apple aumentou os preços de alguns modelos, inclusive de versões antigas que normalmente teriam descontos após o lançamento de novos aparelhos. Essa estratégia já gerou um impulso de 25% no preço das ações desde a primeira alta de preços, segundo o analista Wamsi Mohan, do Bank of America, que acredita que consumidores ainda estarão dispostos a pagar mais pelos produtos da marca.

Paralelamente, a Apple enfrenta uma corrida tecnológica na área de assistentes virtuais. A Siri, tradicionalmente atrás de concorrentes como o Google Assistant, recebeu uma nova versão desenvolvida em parceria com o Google, mas ainda carece de recursos avançados de geração de linguagem. A empresa também está preparando o lançamento do iPhone Duo, seu primeiro smartphone dobrável, cujo potencial de impulsionar a troca de dispositivos pode ser decisivo. Enquanto isso, a OpenAI movimenta o mercado ao recrutar ex-funcionários da Apple e intentas processos judiciais, indicando que o controle de hardware e software será crucial na disputa por liderança em IA.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.