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1 novembro 2026

ECB recebe bilhões do governo enquanto presidente é vizinho de Lulinha

Roberta Luchsinger acusa que a ECB, sob Amauri Pinha, recebeu R$ 2 bilhões em contratos federais por sua ligação com Lulinha, provocando debate sobre possível tráfico de influência.

ECB recebe bilhões do governo enquanto presidente é vizinho de Lulinha

Em entrevista concedida à CNN Brasil no dia 17 de outubro de 2026 a lobbyista Roberta Luchsinger afirmou que a Empresa Construtora Brasil (ECB) teria obtido contratos federais somando R$ 2 bilhões desde que seu presidente, Amauri Rodrigues Pinha assumiu a presidência do conselho em janeiro de 2025. Segundo Luchsinger, o executivo é vizinho de Fábio Luís Lula da Silva conhecido como Lulinha filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que poderia ter favorecido a negociação.

Ao ser questionada se havia indícios de irregularidade, a lobbyista não chegou a afirmar crime, mas enfatizou a necessidade de investigação: “Isso tem que ser questionado. O presidente da República tem que questionar“, declarou. Ela acrescentou que Pinha teria presença em órgãos como o Palácio do Planalto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Petrobras. “É público, é dever informar. O governo tem que informar“, completou.

Quem é Amauri Rodrigues Pinha? Trajetória e formação

Formado em engenharia eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia Industrial e mestre em administração financeira pela FGV Pinha construiu sua carreira em grandes empreendimentos de infraestrutura. Trabalhou na Construtora Camargo Corrêa entre 1988 e 2010, ocupando cargos de diretoria. Entre 2012 e 2014, liderou a joint-venture AG-Dangote vinculada à Andrade Gutierrez, na África. Nos dez anos que antecederam sua passagem à ECB (2015-2025), atuou como diretor-geral da consultoria ARPinha. Essa bagagem consolidou sua reputação no setor, o que facilitou sua indicação ao conselho da ECB em janeiro de 2025.

ECB, Grupo Mota-Engil e os grandes contratos federais

A Empresa Construtora Brasil foi fundada em 1945, com sede em Belo Horizonte (MG) e dedica-se a obras de pesada infraestrutura: rodovias, ferrovias, aeroportos, mineração, mobilidade urbana, serviços industriais e óleo e gás. Em 2012, vendeu 50 % das ações ao Grupo Mota-Engil que completou a aquisição total da companhia em 2025. Ainda naquele ano, a ECB assinou com a Petrobras um contrato de R$ 4,4 bilhões para intervenções na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) no Rio de Janeiro.

No ano seguinte, a controladora Mota-Engil venceu a licitação da PPP (parceria público-privada) para a construção e operação do túnel Santos-Guarujá projeto cujo investimento federal chegou a R$ 2,6 bilhões. Essa série de adjudicações elevou o volume de contratos da ECB, que, segundo Luchsinger, alcançou R$ 2 bilhões em trabalhos com a União desde a gestão de Pinha.

Reações institucionais e ausência de respostas

O Gabinete do Presidente publicou nota negando qualquer conhecimento dos fatos apontados por Luchsinger, ressaltando que Luiz Inácio Lula da Silva “desconhece inteiramente os fatos relatados” e que não há contrato direto entre o governo e a lobbyista. A defesa de Fábio Luís Lula da Silva também refutou as alegações, afirmando que o filho “não cometeu irregularidade” e que está à disposição da justiça com todos os documentos abertos.

Até o fechamento desta reportagem, o Grupo Mota-Engil não havia se pronunciado oficialmente sobre as declarações de Luchsinger. O caso permanece aberto, e a demanda de que o presidente solicite o detalhamento dos contratos vigentes ganha força nos corredores de Brasília, alimentando um debate sobre a transparência em concessões de grande monta.

Beatriz Almeida