Em uma decisão que pode redefinir o futuro das acusações contra o falecido astro pop Michael Jackson um juiz federal determinou que as alegações dos irmãos Cascio devem ser resolvidas através de arbitragem privada em vez de um julgamento público.
O juiz distrital Hernán D. Vera considerou válido o acordo de arbitragem assinado em 2019, rejeitando os argumentos dos irmãos de que a Lei de Fim da Arbitragem Forçada de Agressão Sexual e Assédio Sexual de 2026 invalidava o acordo. A decisão foi baseada no fato de que a cláusula de arbitragem foi assinada antes da entrada em vigor da lei.
O caminho para a arbitragem
Os irmãos Frank CascioDominic CascioMarie-Nicole Cascio e Aldo Cascio entraram com um processo no tribunal federal de Los Angeles em fevereiro passado, alegando que Jackson os manipulou e abusou sexualmente quando eram menores de idade. Eles afirmaram que o cantor os isolou de adultos responsáveis, os drogou e os expôs à pornografia antes de cometar os abusos.
O advogado da família Cascio, Howard King expressou decepção com a decisão, afirmando que a família esperava um julgamento público sobre os abusos sofridos. “É decepcionante, mas não surpreendente, que a decisão sobre se os Cascios foram enganados a assinar um acordo abusivo com uma cláusula de arbitragem seja tomada por um árbitro em vez de um júri de pares”, disse King.
As alegações e as respostas do espólio
Os irmãos Cascio alegam que Jackson os “aliciou e manipulou” usando sua riqueza e status de celebridade. Eles afirmam que o cantor conheceu a família por meio do pai deles, que trabalhava em um hotel de luxo frequentado por Jackson. Após conquistar a confiança da família, Jackson supostamente isolou as crianças e as submeteu a abusos por mais de uma década.
O espólio de Jackson, representado pelo advogado Martin Singer negou veementemente as alegações. Singer afirmou que o processo é uma “tentativa desesperada” de obter dinheiro fácil, descrevendo as acusações como uma “tática transparente de escolha de foro” para obter centenas de milhões de dólares.
O impacto do documentário ‘Leaving Neverland’
Os irmãos Cascio mencionaram que o documentário de 2019, Leaving Neverland os ajudou a reconhecer os abusos sofridos. O documentário detalha as alegações de abuso sexual feitas por Wade Robson e James Safechuck que também afirmam terem sido vítimas de Jackson nas décadas de 1980 e 1990.
Antes de entrar com o processo, os irmãos tentaram anular um acordo financeiro anterior com o espólio de Jackson, descrito por eles como “um acordo ilegal para silenciar vítimas de abuso sexual infantil”. Essa disputa também foi encaminhada para arbitragem privada.
O futuro das acusações
A decisão do juiz Vera significa que as alegações dos irmãos Cascio serão resolvidas em uma sala de conferências privada, longe dos olhos do público. Isso levanta questões sobre a transparência e a justiça no tratamento de casos de abuso sexual envolvendo figuras públicas.
Enquanto a família Cascio busca justiça, o espólio de Jackson continua a defender a inocência do astro pop. A arbitragem privada agora será o palco para resolver essas acusações, deixando muitas perguntas sem resposta para o público.



