Com apenas 23 anos, Augusta Barna já acumula uma trajetória artística que transcende a música. Cantora, compositora, atriz e diretora de seus próprios projetos, ela tem construído uma linguagem única que se estende além dos palcos. Em oito anos de carreira, lançou um EP e dois álbuns, percorreu o Brasil e o exterior, e recebeu prêmios importantes, como o Flávio Henrique 2026 de Melhor Disco Mineiro de canção autoral lançado em 2026 pelo BDMG Cultural.
Para Augusta, o maior desafio não está em alcançar grandes palcos ou prêmios, mas em furar a bolha e continuar construindo um público fiel. “Furar a bolha e continuar construindo um público”, resume. Essa busca por autenticidade e conexão é o que move sua carreira.
Transformação e autoconhecimento
Aos 15 anos, Augusta iniciou sua carreira profissional na música. Olhando para trás, ela brinca que, se pudesse, levaria sua versão mais jovem a um psicólogo. “Prepara, lá vem bomba”, diz, mas logo acrescenta: “Fique tranquila porque nós conseguimos, a gente sempre consegue!”. Essa resiliência tem sido fundamental em sua jornada.
Seu primeiro EP, Cantora de Ruídos lançado em 2026, funcionou como um laboratório de experimentação. “Esse projeto foi uma escola muito rica para o meu desenvolvimento”, afirma. Já seu primeiro álbum, Sangria Desatada foi mais visceral. “Eu precisava mostrar com mais latência o que doía em mim”, confessa. Foi um período de autoconhecimento e aceitação, onde ela aprendeu a abraçar o erro como parte do processo criativo.
A estrada como mestre
Em 2026, Augusta realizou 43 shows em um ano, uma experiência que a fez entender a diferença entre cantar para si e cantar para o outro. “A estrada cansa, mas te faz trocar com o outro, com o mundo, de forma mais entregue”, revela. Essa conexão com o público foi essencial para o desenvolvimento de seu segundo álbum, Na Miúda lançado em 2026.
“Na Miúda” nasceu de um processo mais silencioso, onde Augusta explorou suas próprias contradições. “Eu sou difícil demais, exigente demais e romântica demais”, admite. Apesar da agonia que atravessava aquele período, ela preferiu transformar sua escuridão em beleza pura. “A agonia era muita, eu entreguei beleza”, diz.
Uma artista 360º
Augusta não pensa a música isoladamente. Seu processo criativo é “muito 360º”, envolvendo figurino, visualidade, performance e direção. “Meu processo criativo sempre foi muito agitado, cheio de coisas por trás dessa cabeça inquieta”, explica. Ela ama participar de todas as etapas, desde a criação até a apresentação.
Sua formação teatral também influenciou sua abordagem no palco. “Tudo isso me trouxe muita liberdade de ser e só existir com mais direção e confiança, na vida pessoal ou nos palcos”, conta. Ela busca encontrar um fio condutor entre corpo, voz e os espaços, criando apresentações que são verdadeiras experiências imersivas.
O custo da independência
Manter-se independente tem um preço. Augusta admite que ainda não tem uma base financeira sólida para pesquisar com a calma que gostaria. “Essa coisa de se manter viva no mercado independente, fechar um projeto já buscando recursos para o próximo, adoece”, afirma. Apesar dos desafios, ela não abre mão de sua liberdade criativa.
“Você vai renunciar tudo. O custo emocional é muito alto, principalmente se você depender do que faz pra existir e ter autonomia. Eu abri mão de quase tudo em nome da carreira”, confessa. Ela reconhece que a arte não pede tamanho sacrifício, mas sim a promessa de sucesso mercadológico, que pode falhar.
Expansão e reconhecimento
Em 2026, Augusta foi selecionada para o Natura Musical um reconhecimento que chega em um momento simbólico de sua carreira. Enquanto a turnê de “Na Miúda” se encaminha para o encerramento, um novo ciclo começa a tomar forma. “Eu ainda tô lançando os singles com feats. E tô finalizando meu terceiro álbum que chega já já e é com o Natura Musical”, conta.
O apoio do Natura Musical ajuda a resolver uma questão que acompanha sua carreira desde o começo: como financiar não apenas a criação de uma obra, mas também fazer com que ela chegue às pessoas. “Arcar com a produção da obra e com sua divulgação” era, segundo ela, uma das maiores dificuldades dos projetos anteriores.
Legado e futuro
Aos 23 anos, Augusta ainda acha a palavra “legado” um pouco absurda. Seu objetivo mais imediato é simples: chegar a mais pessoas. “Eu quero levar o que já fiz pra mais corações e ouvidos”, afirma. Ela quer construir uma base fiel de fãs e uma música capaz de atravessar o tempo.
“Acaju”, de “Sangria Desatada”, é uma de suas músicas que ela acredita ter esse potencial. “Não virar cópia de si mesmo também é desafio”, reconhece. Para ela, a solução está em “um exercício ao novo, se abrir sem perder a essência da coisa”.
Daqui a dez anos, ela não sabe exatamente onde estará, mas sabe o que quer preservar: vigor, direção e fé. “Espero seguir com vigor para botar o bloco na rua, não perder a linha que guia tudo isso e nem a fé em mim”, afirma. E completa com o desejo que resume o momento atual: “Espero que eu tenha furado a bolha, e conquistado mais ouvidos e corações pra vibrar comigo nessa jornada tão especial.”.



