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1 novembro 2026

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$ 13,9 bilhões até 9 de outubro

Brasil apresenta superavit cambial de US$ 13,9 bi em 2026, revertendo déficit de 2025.

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$ 13,9 bilhões até 9 de outubro

O fluxo cambial representa o volume de dólares contratados que entram e saem do país, divididos em canal financeiro e canal comercial. Esses números são divulgados semanalmente pelo Banco Central e servem como termômetro da balança externa brasileira.

Resultado da semana de 5 a 9 de outubro de 2026

Entre 5 e 9 de outubro, o balanço cambial foi positivo em US$ 2,415 bilhões. O canal financeiro registrou entrada líquida de US$ 4,126 bilhões impulsionado sobretudo por compras de dólares que totalizaram US$ 30,186 bilhões. As vendas, embora expressivas (US$ 26,099 bilhões), foram insuficientes para anular o excedente, gerando o superavit mencionado.

Por outro lado, o canal comercial apresentou saída líquida de US$ 1,711 bilhão. As exportações contratadas somaram US$ 6,837 bilhões mas foram superadas pelas importações, que alcançaram US$ 7,710 bilhões. Essa diferença fez com que o comércio contribuísse negativamente para o resultado da semana.

Acumulado de 2026 até 9 de outubro

Considerando o período de 1º de janeiro a 9 de outubro, o fluxo cambial brasileiro acumulou saldo positivo de US$ 13,916 bilhões. Em comparação, o mesmo intervalo em 2025 terminou com um déficit aproximado de US$ 18,380 bilhões evidenciando uma reversão de cerca de US$ 32,296 bilhões entre os dois anos.

Ao detalhar o acumulado de janeiro a setembro, observamos que o canal comercial ficou superavitário em US$ 45,770 bilhões enquanto o canal financeiro manteve saldo negativo de US$ 35,068 bilhões. Essa dinâmica indica que o comércio exterior tem sido o principal responsável por gerar recursos externos, compensando a pressão vinda das operações financeiras.

Impulsos e projeções para o restante do ano

O destaque da semana e do acumulado está na força do canal financeiro que, apesar de ainda registrar saldo negativo no acumulado até setembro, conseguiu reverter a tendência na primeira quinzena de outubro. Essa virada pode estar ligada a fatores sazonais, como a antecipação de pagamentos de serviços e a realocação de capitais pelos investidores internacionais.

Já o canal comercial continua a apresentar pressão de saída, refletindo a demanda interna por insumos importados e a competitividade das exportações brasileiras. Caso essa fração se mantenha, o superavit anual dependerá cada vez mais das entradas financeiras.

Os números divulgados pelo Banco Central são preliminares e sujeitos a ajustes, não incluindo operações interbancárias nem transações externas realizadas pela própria autoridade monetária. Assim, os dados devem ser acompanhados nas próximas semanas para confirmar a tendência positiva observada até o momento.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.