As bolsas asiáticas fecharam a segunda-feira sem direção clara, enquanto o petróleo Brent recuou após alcançar o maior patamar em mais de quatro anos. Na semana anterior, o barril chegou a US$111, nível inédito desde maio, impulsionado pela reafirmação do Irã sobre o controle do Estreito de Ormuz. Essa alta pressionou os mercados de energia e trouxe volatilidade ao preço do crú, refletindo tensões geopolíticas ainda latentes.
Desempenho dos principais índices e rendimento dos títulos
Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 registraram leves quedas, enquanto a curva de rendimentos dos treasuries voltou a subir. O T-note de dois anos chegou a 4,77% (+6 bps) e o de dez anos a 5,14% (+6 bps), indicando que o mercado ainda prevê a possibilidade de novas elevações de juros pelo Federal Reserve. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 0,7%, puxado pelos setores de tecnologia, industrial e bancário. Na Ásia, o KOSPI (Coreia) despencou 3,7% após forte venda de semicondutores, o Nikkei 225 caiu 0,9% e o Hang Seng recuou 1,3%.
Brasil: Ibovespa, câmbio e renda fixa em foco
O Ibovespa fechou a 205.079 pontos, queda de 0,2%, com a Petrobras liderando o recuo (queda de quase 3%). Em contrapartida, ações como Azzas e Magazine Luiza avançaram após recomendações de compra de um banco de investimentos. Na renda fixa, o DI-jan/29 encerrou a 12,66% (-3 bps) e o DI-jan/31 subiu para 12,73% (+1 bp), acompanhando a pressão internacional sobre as taxas. O índice IFIX, de fundos imobiliários, subiu 0,43% para 3.956,84 pontos, impulsionado pelos setores de lajes corporativas, shoppings e logística.
Agenda da semana: decisões de política monetária e resultados corporativos
Investidores voltam a atenção para a decisão do Fed prevista para outubro, com o mercado atribuindo 83 % de probabilidade de manutenção dos juros. Na Europa, a preocupação fiscal se intensifica: os títulos soberanos franceses de 10 anos tocaram 4,95%, ampliando o spread em relação à Alemanha para quase 1,5 ponto percentual, o maior nível desde a crise da dívida da zona do Euro. Paralelamente, a OpenAI busca cerca de US$30 bilhões em nova rodada de investimento, o que poderia elevar sua avaliação acima de US$1,4 trilhão, mantendo o foco no financiamento da inteligência artificial.
Resultados esperados de grandes empresas
Esta semana, o calendário corporativo traz divulgações de nomes de peso: SpaceX, Tesla, Meta, Newmont, BHP, Lockheed Martin e NextEra. Os relatórios de lucro poderão gerar movimentos relevantes nas respectivas ações e reforçar ou desafiar as expectativas de crescimento econômico global. Nos EUA, o relatório de empregos da ADP será divulgado hoje, seguido de dados de alvarás de construção e vendas de moradias, que também são monitorados de perto pelos analistas.
O cenário atual combina a pressão sobre commodities energéticas, a expectativa de mudanças nas políticas monetárias e a ansiedade dos investidores frente aos resultados corporativos. Cada um desses elementos tem o potencial de alterar a trajetória dos mercados nas próximas sessões.



