Na manhã do dia 19 de outubro, o magistrado Alex Tse decretou a prisão preventiva de Abdulrahman Alfozan ex-engenheiro da OpenAI mantendo-o detido sem direito a fiança enquanto aguarda o desdobramento do processo criminal. O juiz argumentou que há risco significativo de fuga sobretudo após a oferta do consulado saudita de financiar integralmente a fiança, proposta que classificou como “cheque em branco”. A decisão surge menos de duas semanas após a detenção de Alfozan, ocorrida em 9 de outubro, por suspeita de instalar um dispositivo de gravação clandestino nas dependências da empresa em São Francisco, Califórnia.
Instalação de dispositivo de gravação em sala de reuniões
De acordo com a acusação, o equipamento foi descoberto atrás de uma televisão na sala executiva de reuniões da OpenAI, envolvendo papel higiênico e um cabo USB conectado a um gravador de áudio. As autoridades alegam que a sala era palco de discussões sobre pesquisas avançadas, estratégias comerciais e decisões de produto, o que tornava o local particularmente sensível. O dispositivo teria captado comunicações orais por vários dias, configurando crime de interceptação de comunicações e podendo levar a uma pena máxima de cinco anos de prisão se a condenação for confirmada.
Contato frequente com membro da família real saudita
Os promotores apresentaram mensagens trocadas via WhatsApp que sugerem um vínculo recorrente entre Alfozan e um integrante não revelado da família real saudita. Em um dos diálogos, o saudita escreveu: “A Arábia Saudita precisa mais de você do que os Estados Unidos”, ao que Alfozan respondeu simplesmente “100”, expressão utilizada para indicar concordância plena. A acusação sustenta que o contato teria incluído várias tentativas de recrutamento para integrar o engenheiro a uma iniciativa de inteligência artificial no Reino.
Elementos que alimentam o risco de fuga
Para reforçar a alegação de fuga, a acusação destacou a compra, por Alfozan, de passagem aérea somente de ida para Riyadh com embarque marcado para 12 de outubro, bem antes da sua prisão. Além disso, a esposa — Lujain Alassaf — e o bebê de três meses deixaram os Estados Unidos em 10 de outubro, em voo para Doha, as passagens supostamente pagas por um oficial militar saudita. O consulado saudita ofereceu-se para garantir a fiança, mas o juiz considerou a proposta “problemática”, temendo que o governo saudita pudesse intervir para facilitar a fuga ou ocultar o suspeito.
O advogado de defesa, William Pernik contestou a narrativa de risco de fuga, apontando que Alfozan tem entrevista de naturalização americana agendada para 6 de novembro, o que demonstraria seu comprometimento com a permanência nos EUA. Ele ainda propôs libertação sob monitoramento eletrônico e garantia de pagamento de fiança por terceiros, mas o magistrado manteve a medida de prisão preventiva. Enquanto o caso segue em investigação, autoridades americanas, incluindo o diretor de Inteligência Nacional Jay Clayton alertaram para possíveis implicações de segurança nacional. A próxima audiência está prevista para 6 de novembro, podendo resultar em acusações adicionais além da interceptação de comunicações.



